Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Rosademesinha é uma flor silvestre, mas muito delicada, e sensivel, nome que uma amiga minha me deu, achei interessante, titular meu blogs com este nome, que no fundo diz de mim o que na verdade sou. Campesina, Delicada, Sentimental, Sensivel.
""E o lindo sorriso duma Neta""
'''Carta da Avó Rosa para a neta Mariana Dias'''
‘’Entregue por mão no dia ’25-8-2013’’
Querida neta!
Querida Mariana
Os quinze anos, já lá vão!
Acabas agora de completar os dezasseis aninhos
Apesar de todas as idades terem a sua beleza, tu estás na idade mais linda que se pode ter!
Ainda outras idades virão, sim!
Lindas, felizes!
Mas os quinze, dezasseis anos, minha querida!
Apenas lhes falta uma coisa para serem completamente perfeitos!
E que só mais tarde se adquire.
A maturidade, e a experiência de vida!...
Tudo mais, eles têm!...
Amor, inocência, pureza, felicidade, cor, romantismo, ilusão, paixão, alegria, sonho, aventura, mimo, beleza!
E tudo o mais que se possa imaginar como belo!...
Agora, passas a outra fase de vida, e nesta, e até que Deus queira, a tua avó que tanto te ama, tudo fará para que continues tendo esses predicados acompanhando os teus passos.
Mas desta vez já com alguma experiência e maturidade, que foste adquirindo dia a dia no teu viver.
Querida, nunca desprezes o conselho dos mais velhos.
Muito em especial, daqueles que te amam, daqueles que te ajudaram a crescer.
Que te ensinaram a falar, a dar os primeiros passos, que te beijavam e abraçavam quando caias, ou fazias traquinices, que te corregiam sim, mas o faziam com amor, e por amor.
Mariana meu amor!
Sempre que te surja algum obstáculo no caminho, pára, e pensa na melhor maneira do ultrapassar, se não te sentires com força de subires para chegares ao outro lado, contorna-o, sempre duma forma humana sem pisares ninguém que encontres no teu caminho!
Se a dificuldade persistir, olha em redor que eu estarei por perto de braços abertos e de colo disponível para te receber, e com muito amor te ajudarei a seguir em frente, e aí verás que, com a partilha é muito mais fácil caminhar, ser feliz, e espalhar felicidade, ao nosso redor.
E, sem perdermos nenhum dos valores que adquirimos até aos nossos maravilhosos quinze dezasseis anos!...
Meu amor!
Mas se por acaso eu não estiver já por aqui, quando precisares, procura dentro de ti, pois algures estarão os conselhos desta avó que tanto te amou!
Aplica-os, tenho a certeza que eles te orientarão e não te deixarão ficar mal...
Lembra-te dos momentos de pausa em que a avó te pedia, senta aqui ao pé da avó, que eu vou-te contar uma história real, uma história de vida!
Lembras-te amor?
Daquelas histórias que tu ouvias em silêncio!
Pouco a pouco eu via aparecer nos teus olhos um brilho, uma luz, que se transformava em espanto e admiração!
No fim, e aconteceu algumas vezes, a emoção das palavras e da lembrança, enchiam meus olhos de lágrimas
Tu me abraçavas, dizendo!
Ó Vó, ó Vó!
Eu adoro-te…
E assim me fazias feliz…
Assim era-mos felizes…
Na tua santa inocência, acrescentavas!
Eu sei que ainda vás ser famosa...
E assim consolavas o coração daquela relíquia viva, que tinhas na tua frente!
Que fazia parte da tua vida!
Mulher orgulhosa e feliz dos netos que teve.
A tua querida Avó Rosa!... ''Para todas as netas do Mundo''
Com beijinhos da avó Fixe...
Rosa Guerreiro Dias
18-12-2012
22-7-2014




do Monte da Caparica
DANÇA
ETNOGRAFIA DA MEMÓRIA!
Sobre Rosa Dias
''Poetisa Popular de Campo Maior''
Pelo Antropólogo, Poeta o Dr. Luís Maçarico...

Em toda a sua obra publicada (e inédita), Rosa Dias realiza uma Etnografia da Memória, que a Poesia enriquece, num jogo de apuro, com as palavras, que são paleta e objectiva, recolhendo elementos para quadros, que atravessam a fronteira dos sentidos, transportando o leitor até paisagens de amplos horizontes, onde o verso tem escala humana.
Da sua poesia, emerge a génese alentejana e camponesa, o património imaterial, que consubstancia as Festas do Povo, as profissões laboriosas das gentes do campo, as tradições marcantes, o saber - fazer identitário dos mestres, a linguagem pródiga em regionalismos, o colorido de um humor distinto, que apenas os alentejanos sabem fruir. Há na dimensão dos seus retratos, das suas telas rimadas, o fulgor de páginas de escritores, como o Silva Picão, de “Através dos Campos” ou o João Mário Caldeira de “Margem Esquerda do Guadiana, As Gentes, A Terra Os Bichos”.
Rosa Dias recorre, qual antropólogo, à observação - participante, para descrever vivências, interacções, modos de ser e de fazer, e até para registar que certos rituais pertencem ao passado, pois “o mundo está em mudança, hoje a vida tem outro fado.”
Em “Novo Amanhecer”, o livro que já nos levou a Campo Maior, numa noite de Verão mágica, importa realçar que o género é pedra de toque, para Rosa falar da sublimação dos dias, através do olhar feminino, assumidamente como complemento vital da Humanidade, na conjugação homem/mulher, em colectivo, pelos territórios do Amor.
Na página 63 há um poema que vale todo o percurso de tão esplêndida existência, pois se Eugénio de Andrade escreveu “Num prato da balança um verso basta / para pesar no outro toda a minha vida”, Rosa Dias conta-nos, em “A força de querer”, escrito há oito anos:
“Disse um dia, vou em frente;/ Gritou a vida, isso é que não!/ Julgas-te gente? Não és gente/ Larga a escola; ganha o pão//
“Assim me roubaram o prazer/ De estudar, p’ra ser alguém/ Mas esta força, do querer/ Ninguém a roubou, ninguém…//
“Ter de novo na minha mão/ A saca, o lápis, a sebenta/ Foi dizer sim, a esse não/ A caminho dos sessenta…”
A toada aleixiana, que pode estar subjacente à origem desta poesia, de raiz tradicional, é suplantada pelo cunho vincadamente alentejano, pela pegada desta cidadã do mundo, pela tatuagem dos dias no seu ADN, pois a par dos hinos ao sul, saboreamos passagens pelos Açores, por Alpedrinha, andanças por Lisboa, reflexões onde o Mundo surge, enquanto realidade do quotidiano, ao ponto de também ter composto um texto actualíssimo: o rap rep da minha vida.
Depois de Toadas Alentejanas (1989) e Anexins e Nomes Engraçados de Campo Maior (1997), “Novo Amanhecer” marca uma indomável vontade de viver e partilhar uma arte, que explodiu um dia, com a urgência da fome ou da respiração, no sangue intempestivo do Verbo.
Abençoada arte da fala, que tem proporcionado, de norte a sul, o convívio com esta pessoa maravilhosa, que espalha a harmoniosa beleza de sílabas morenas, trazendo trigais e cantares, lágrimas, suores e sorrisos, esperanças e destinos, em rimas que embalam momentos, encontros, lugares.
Rosa Dias, a menina - ave, que enfeitou de sonho a sua partida para a grande cidade e nela trabalhou, amou e construiu um ninho de amor e poesia, é a mesma que decorrido um percurso, eivado de peripécias e mágoas, nos interroga, como Carlos Drumond de Andrade, acerca da melhor forma de ultrapassar a pedra, que ficou no caminho.
Querida Rosa: É um enorme privilégio ser teu amigo e poder celebrar neste espaço único, como é o teu coração, as décadas de experiência que já acumulaste, qual tesouro onde a luz e a harmonia estabelecem o equilíbrio da essência.
Não há um poeta como tu, és irrepetível, a tua eloquência, a tua vivacidade são uma oferenda para todos nós.
Interpretas como ninguém esse fogo que te alimenta, em cada estrofe, em cada espaço, onde o som e o feitiço de te escutarmos, seduzidos pela musicalidade, pela força telúrica, pela justeza de cada vocábulo, nos permite guardar o pedacinho de lava desse vulcão de sabedoria que só tu sabes.
Como agradecer-te a ternura de seres?
Luís Filipe Maçarico
7/10/2011

Alguns dos Livros da autora...
As tuas mãos Amor
Mãos finas, elegantes
Macias,quentes
Insaciáveis de labuta
Mãos de promessa, firmes
Na louca pressa da sua luta
Mãos sem receios
Sem medos
Sem tremor
Mãos carinhosas, melosas
Em afagos de amor
As tuas Mãos
Hoje cansadas
Fragilizadas, vão tateando
Mãos inquietas
Sempre despertas
Prontas p'ra dar
Ainda são as mesmas
As que eu conheci
Que conheço e amo
E vou sempre amar…
Rosa Guerreiro Dias
24-5-2014


Montexaraz
Monsaraz
Monsaraz
Já foste Montexaraz
Monte de Estevas
Os povos assim diziam
Foste Monte
Monte, ficaste
Porque xaraz, te chamaste
Plas estevas que em ti nasciam!
Como Monte
Lá bem distante
Os olhos da tua gente
Desejavam em ti viver
Gabavam a tua beleza
Por ver a Esteva florindo
Pouco a pouco foram indo
Ficando em ti com certeza.
E hoje, batido a vento
Montexaraz num lamento
Sobre as pedras do tormento
Suportando o casario
Vai perguntando a quem passa
Minhas estevas, onde estão?
Forraram de pedra o chão
Meu Monte perdeu a graça…
Mas, ganhaste em história
Em Glória
Montexaraz - Monsaraz
Consola-me, sentir-te eterno,
Meu lindo Monte sem par
Porque da Esteva branca flor
Alguém roubou sua cor
Para de branco te caiar…
Rosa Guerreiro Dias
3-3-2014
'' ALGUMAS DAS FOTOS FORAM RETIRADAS DA INTERNETE''