Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Rosademesinha é uma flor silvestre, mas muito delicada, e sensivel, nome que uma amiga minha me deu, achei interessante, titular meu blogs com este nome, que no fundo diz de mim o que na verdade sou. Campesina, Delicada, Sentimental, Sensivel.
Silêncio! Não!
Deixem!
Deixem que as palavras se soltem da minha boca!
Quer sejam elas verdadeiras ou não
Que o mundo me acuse de louca
Antes quero assim
Do que o mórbido silêncio
Se acame em minha boca
E tome conta, desta alma
Que tenho em mim!
Deixem falar os Poetas
Ainda que seja nada, o que eles dizem!
Se as almas existem
E as palavras persistem
Deixem os Poetas falar
Deixem os Poetas contar
Aquilo que mais ninguém conta!
Cada coisa, tem em si uma razão
E essa razão
É a razão de cada coisa existir!
“Beleza e Milagre”
Estão no balbuciar de cada palavra
E quando estas saem embebidas
No suco da alma
Aí surge magia
Em perfeita sintonia!
Como vens tu agora
Bendizer o silêncio das palavras!
Sim das palavras dos Poetas
Dessas almas que cantam a beleza?
Enquanto um sopro de vida existir em mim
E a minha alma me ditar o bom senso e a razão
Não me irei calar, não!
Gritarei ao mundo…
O que me vai na alma e no coração!...
Rosa Guerreiro Dias
21-3-2013
Lá longe!
Nessas terras do degredo
Onde o Sol nasce mais cedo
E se canta, como quem reza!
Grita a papoila encarnada
Anunciando alvorada
Entre os trigais da riqueza
Lá longe!
Numa planície deserta
Onde o homem dorme a sesta
E o sonho morre ao nascer!
Mora a vontade, sentida
Esperando milagre da vida
E um novo amanhecer
Lá longe!
Aonde os Poetas nascem
E onde as agulhas tecem
Fios de estopa e de lã
Vive um povo, gente franca
Pousado entre a cal branca
Com esperança no amanhã
Lá longe!
Entre sobreiros e montes
Onde rareiam as fontes
E o pão clama fartura
Sobeja doçura à flor
E vai a abelha com amor
Adoçar a vida dura
Lá longe!
Nessa terra de meus pais
Onde os rouxinóis e os pardais
Ainda cantam liberdade
Dizem p’ra nós no cantar
Que há muitas formas de amar
E até de matar saudade
Lá longe!
No meu Alentejo amado
E que trago na alma gravado
Os Serões têm magia!
Cada vida tem uma história
Cada história é uma glória
Contada com alegria
Lá longe!
Onde o menino nasce velho
No saber e no conselho
E onde é de graça o perdão
Há mananciais de azeite
De boa carne e bom leite
E dum abençoado pão
Lá longe!
Onde eu nasci e amei
Donde mais tarde abalei
Carregando comigo a dor
Deixei lágrimas contigo
Trouxe lágrimas comigo
Alentejo meu amor!
Lá longe!
Tu choravas de saudade
E eu chorava na Cidade
Lembrando abraço de Mãe
Aos poucos, fui acalmando
A dor que tinha amainando
E a grande saudade também
Alentejo, agora!
Agora que estou de regresso
E sem saber se te mereço!
Eu só queria, por cá ficar
Dá-me um pouco do teu solo
Não me negues o teu colo
Deixa-me em ti repousar.
Rosa Guerreiro Dias
6-4-2011
9-7-2013
