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Rosademesinha é uma flor silvestre, mas muito delicada, e sensivel, nome que uma amiga minha me deu, achei interessante, titular meu blogs com este nome, que no fundo diz de mim o que na verdade sou. Campesina, Delicada, Sentimental, Sensivel.
Calçada Portuguesa
Esta arte tão natural
Que faz parte da nossa riqueza
É uma filha de Portugal
Que no mundo não tem rival
A calçada portuguesa
Em mãos rudes, calejadas
Rolam pedrinhas à toa
Formas quinadas, quadradas
Vão desenhando as calçadas
Desta velhinha Lisboa
Ali perco o meu olhar
Mirando tanta beleza
E tanta gente a passar
Sem parar ou reparar
Nesta arte portuguesa
Réplicas lusas no chão
Corvos, naus e caravelas
Desenhados com precisão
P’lo calceteiro artesão
Que pinta no chão aguarelas
Curvado na nobre tela
De martelo apetrechado
Vai pintando a aguarela
Duma calçada singela
Onde passa o negro fado
Encovada em rude mão
Tomando a forma ideal
O martelo qual formão
Vai dando com precisão
Aquele toque final
Entre terra com mistura
Escavada com saber
Em ajeitada postura
Vai a pedra que é tão dura
Simplesmente adormecer
P’los mundos já foi espalhada
Como arte de grande beleza
E em qualquer língua falada
Irá sempre ser chamada
De calçada Portuguesa.
"Autora"
Rosa Guerreiro Dias
21-11-2010
Rosas
Bela roseira encantada
Cor de fogo ou de Rosa desmaiada
Branca, Amarela, Encarnada!
Ou de tronco envelhecido!
Tens na raiz a essência!
Dum aroma estonteante!
E de Prima em Primavera
Vens tu!
Sem qualquer truque nem peneira;
Mostrar-nos desta maneira
Que se não foras tu "Rosa Bela"
A enfeitar o alpendre
Ou o vaso da janela
Onde o meu olhar se prende!
Não era o mundo tão belo
Nem existiam estes lembretes
De colher nos alegretes
Em alturas especiais
Belas Rosas
Colhidas com tal fervor
E oferecer com amor
Assim ramalhetes tais…
Rosa Dias
8-11-2010
VERDE ESPERANÇA
***
Depois de tanto pensar
Fiz questão de procurar
E apesar de tortuoso o caminho
Quis encontar esse verdinho
Esse que nos fala de esperança
***
Procurei no verde Minho
No verde musgo aveludado
Até no verde da seara
Do meu Alentejo amado
Nas árvores eu procurei
Nas plantas, nas flores
Mas confesso, não encontrei
Mas sabia que existia
Como tal, jamais parei
E pensei! Repensei! Voltei de novo a pensar
***
De repente fez-se dia
Aflorando à minha ideia
O local ideal
Onde o verde poderia estar
E não me enganei
Esse verde que tem a cor da esperança
Nascido da semente do amor
Só poderia existir
No olhar duma criança
Duma criança sem dor
**
Mas vejam bem meu azar
**
Pois a lágrima da tristeza
Ali se foi instalar
Obrigando o bendito verde a ceder-lhe o seu lugar
Afirmando
Enquanto o homem quiser e deixar
Irei ficar
E daqui, ninguém me irá tirar
E no lugar da boba esperança
Ficará a dor
E ela será, a cor de qualquer criança
***
Deixei de pensar
E chorando implorei
Meu Deus
Tu que és a lei
Ordena ao homem por favor
Que ponha em prática o amor
Que pense melhor
Que abdique da ganância
Que deixe a soberba de lado
Que volte a repor a esperança
Naquele olhar esverdeado
Que só pertence à criança
A qualquer criança
Por direito
Por legado...
Autor: "Rosa Dias"
18-1-2003
Bendita
Oliveira
Formas! Deformadas!
Torcidas! Destorcidas!
Árvores desgastadas, p'los campos perdidas...
Saudade quieta, sem gemido na dor.
Sem folha, sem fruto, nem esperança de flor.
Raíz que sustenta tronco envelhecido!
Que só se alimenta dum tempo perdido.
Lei da sobrevivência!
Teimando, lutando!
Trunfos que a natureza nos mostra, até quando?
Pouso de pardais, e de quem mais queira…
Covis de animais, fugindo à canseira!
Fungos invasores, devastam-te a vida!
Devoram-te em dores!
Oliveira querida...
Mas tu que iluminas-te os homens de fé!
Não te dás por vencida!
E morres de pé.
Rosa Guerreiro Dias
26-11-2009