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Rosademesinha é uma flor silvestre, mas muito delicada, e sensivel, nome que uma amiga minha me deu, achei interessante, titular meu blogs com este nome, que no fundo diz de mim o que na verdade sou. Campesina, Delicada, Sentimental, Sensivel.
Tu que dizes que não há “Deus”
Anda ver o Alentejo
Através dos olhos meus.
Que campos bonitos vi no Alentejo.
Rebanhos de ovelhas, pássaros cantando, flores a brotar
Ribeiros onde as águas, corriam velozes sem ninguém as parar.
E eu agradecida, ao meu Criador.
Por ver a beleza dos campos em flor
Ó meu Criador, não vás esquecer!
Dos campos em flor p’ró gado comer.
Completando o quadro da bela paisagem
Passava o burrinho puxando a carroça
Sentado no carro, um homenzarrão
De rosto sereno, paz no coração.
E ali extasiada fiquei a olhar!
Tanta maravilha, que o bondoso Deus me quis ofertar.
E notando o dia, que entardecia!
Voltei à Aldeia em paz e alegria.
Rosa Guerreiro Dias
Sobral de Adiça - Abril de 1983
Chuva limpa transparente
Caindo sobre arvoredos
Venhas forte ou levemente
Trazes encantos, segredos
A natureza agradece
Fica o campo mais verdinho
O malmequer se envaidece
Se lhe tocas de mancinho
Lavas paredes, telhados
Janelas e pavimentos
Só não lavas nossas almas
Carregadas de sentimentos
Lavas mesas e cadeiras
Calçadas de pedraria
Onde correm as canseiras
Da tristeza e da alegria
Chuva saudosa bendita
Que cais sobre o meu chapéu
Como borrifos de água benta
Que Deus enviou do céu
Molhas os ricos e os pobres
Sem olhares a condição
Chegas de dia, de noite
Em qualquer ocasião
É bom ouvir-te cair
Lá nas telhas desmaiada
Quando entre lençóis e mantas
Eu me sinto aconchegada.
Rosa Guerreiro Dias
12-12-1977
Experimenta!
Receita Original
Real Amizade
Ingredientes.
100g de pureza, 100g de lealdade, 100g de franqueza, 250g de verdade.
Duas palavras mansas, 2 cálices de perdão, duas colheres de sopa de amor, uma pitada de carinho, doçura que baste.
Num abraço de amigo.
Deita-se a pureza, a lealdade a franqueza a verdade.
Abraça-se tudo, envolve-se bem, mas levemente sem bater, sem magoar, junta-se então a pitada de carinho, as duas palavras mansas, as duas colheres de amor e por fim os dois cálices de perdão, envolve-se até ficar tudo bem ligado.
Deita-se numa forma em forma de coração, bem untada com lágrimas de alegria, coze no forno de calor humano, brando para não queimar.
A cozedura pode ser feita por tempo indefinido, tanto ou mais que o tempo que dura a amizade verdadeira, esta receita pode ser coberta com um creme feito de ternura, e salpicada de sorrisos a gosto.
Para a cobertura
Um cálice de lágrimas de alegria, 100g de doçura, sorrisos q.b.
Envolve-se tudo e cobre-se, salpica-se de sorrisos a gosto.
Deixa-se arrefecer e parte-se em pequenas fatias, serve-se aos amigos sempre que necessário, mas sempre acompanhada dum fraterno abraço.
A real amizade é uma verdadeira delícia, que não demora a fazer, não é dispendiosa, não engorda, não dá azia, e fica-se sempre com vontade de mais.
Experimentem a fazer e a oferecer, terão bons resultados, e muito em especial uma melhor qualidade de vida.
Atenção: Esta receita não deve ser alterada.
É receita de família, vem de minha avó Isabel, que passou a minha mãe Ana, que passou a mim Joaquina, e eu passarei a meus filhos, Filomena e Hélder, que por sua vez a irão passar a seus filhos Diogo e Mariana, e assim sucessivamente correrá de mão em mão.
Nota:
Eu de minha parte, e a partir deste momento, ofereço-a a todos quantos a quiserem.
Experimentem e sejam felizes com o segredo da
“ Real Amizade”.
“”Rosa Dias””
4-5-2005
Alqueva
Alqueva abriu seus braços ao seco Alentejo
Cobrindo com suas águas parte do passado
Onde há muito se acalentava o louco desejo
De ao branco Alentejo, traçar outro fado
O velho sobreiro lá vai soluçando
E toda a passarada anda meio perdida.
O povo de olhar triste lá vai lamentando
De mágoas chorando, vai culpando a vida.
Todos nós sabemos!
Que o sonho era antigo, e muito importante.
Que todo este mar de água
Nos fazia falta p’rós campos em flor
Mas também sabemos
Que o sofrimento que este povo sente
Vai matando gente, vai espalhando a dor.
O famoso Alqueva p’los campos se estende!
Quem passa junto do rio, ouvirá então
A voz sufocada, que mal se entende
No fundo do lago
Morrendo em paixão.
Tu foste mãe de muita gente, minha Luz amada.
Tu e teus filhos não têm regresso.
Deixaram nas vossas mãos um pouco de nada.
E no lugar da vida, pousou o progresso.
Cegonhas contam a seus filhos toda esta mudança.
Falando do velho ninho que foi de sua mãe
E da pena que sentem, de todo o velho, de toda a criança.
Trauteiam com esperança, que tudo acabe em bem.
O Alqueva traçou novo rumo, à terra do pão.
Enquanto o alcatrão avança
E aos poucos alcança
Os montes da solidão.
Rosa Guerreiro Dias
6-7-2008
Voluntariado
Vai!
Vai coração andarilho
Caminha por esse trilho
Não te irás arrepender
Faz bem sem olhar a quem
E um dia terás também
Quem alivie teu sofrer.
Levas no olhar a ternura
E na palavra a brandura
Que acalma quem está sofrendo
Levas prontidão no fazer
No coração o prazer
Do amor que vás espalhando.
Nosso “Deus” que é Deus de amor
Que foi o primeiro semeador
Soube bem onde plantar
Gente terra que era nada
Foi docilmente adubada
P’ra farta ceifa nos dar
*****
E assim; todos os semeadores
Dos campos cheios de dores
Vão louvando o Criador
Mesmo em dureza terrena
Eles sabem que vale a pena
Plantar para ceifar amor.
Rosa Guerreiro Dias
29-10-2005
Mulher 2010
A mulher para ser completamente feliz
Apenas lhe falta, um pequeno, pormenor
E ele está, em ela olhar para dentro de si;
E dizer com firmeza e convicção!
Basta!
E a partir desse momento as coisas mudam!
A mulher começa a sentir o real valor que lhe é devido como ser humano.
E que julgava perdido para sempre.
E só com esta atitude!
Voltará a existir, a mulher digna, que vai!
Não à frente, nem atrás, mas ao lado do homem
Pois eles se complementam.
E só com esta tomada de posição, deixaremos de ter dias especiais.
Porque as mulheres, as crianças, os velhos, os avós, em suma todo o ser humano, passará a ser especial todos os dias.
Dirão alguns!
Porque só com a tomada de posição das mulheres as coisas mudam?
É fácil de ver!
A mulher é o vaso; A mulher é a terra; A mulher é a madre.
Dela deriva toda a humanidade.
No ventre da mulher se gera, se desenvolve todo o ser humano.
Logo aí temos por onde começar.
Porque a mulher amamenta
A mulher cria
A mulher ajuda crescer
A mulher educa
A mulher ensina!
Aqui está o ponto de partida para a boa formação, e para a transformação das mentalidades dos homens e das mulheres do futuro.
Ensino e Formação.
E aí sim
Faremos em conjunto uma nova geração de homens mulheres e crianças
Que não vão mais precisar de dias inventados nem dias especiais.
Porque todo o ser humano irá ser especial todos os dias.
Com a força que as mulheres ponham neste
“ Basta”
Com a consciencialização de todos os homens.
Iremos sair deste impasse, desvalorizado em que nos encontramos.
E passaremos sem dúvida a ser seres humanos
Mais realizados!
Mais felizes.
Rosa Dias
Rosa Guerreiro Dias
8-3-2010
As Monjas
Da minha Terra
De argamassa, bem duro
Bem mais perto de “Deus”
Vão as monjas orando
Em prece agradecendo
Bênção vinda dos Céus
No silêncio lá dentro
Onde só é livre o vento
Espalhando feitiço
A bela monja envelheceu
Pois de si se esqueceu
Sem ter dado por isso
Farol apagado
Onde nem o pecado
Desperta ou seduz
Barcas ancoradas
Velas desfraldadas
Erguendo uma cruz
E neste isolamento
Não se ouve um lamento
No tempo que passa
E quando a monja se agita
É a sua alma que grita
Bendizendo esta graça.
Rosa Guerreiro Dias
6-3-2010