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ABRIL NO ALENTEJO

por Rosa Guerreiro Dias, em 08.04.08

 

Torre da Rainha

Águas do Marãnhão

Antiga chaminé

Sentinela dos telhados

Cachos de laranjas

Rodapé azul

Cantadeiras em tom de oração

vestigios do passado

Preciosidade

Poesia sem acustico

Laranjeiras em flor

Justiça seja feita

            AO

  Abril no Alentejo

 

Domingo 6 de Abril, passeio a Avis.

Este Abril nasceu radioso! Mostrando-nos uma vez mais, como é generosa a mãe natureza.

Deu-nos o privilégio de apreciar, as primeiras rubras papoilas desta Primavera em flor semeadas ao acaso, entre esse verde de várias tonalidades que cobre os campos do nosso Alentejo amado.

Os pequenos coelhinhos davam-nos as boas vindas; saltitando nas bermas da estrada, como se brincassem ao esconde, esconde, de orelhas espetadas, lá iam fazendo.

Sua ginástica matinal.

As perdizes, praticavam pequenos voos treinando, quem sabe para fugir aos perigos que espreitam, a D. Cegonha, em seu porte altivo, caminhava solitária, de cabeça erguida, olhar atento, Quiçá, procurando material apropriado para restaurar seu antigo ninho, e ao mesmo tempo, num tac tac dizendo, olá, cheguei!

E trago meia branca.

Este quadro maravilhoso fazia-nos soltar ais de admiração e espanto.

 

Ao entrar-mos em Avis.

O branco das paredes caiadas, gritou mais alto que as torres das velhas muralhas.

Os rodapés das casas, pintados de amarelo e azul, brilhavam, chamando a nossa atenção.

Em algumas portas vestígios de antiguidade, como a exemplo os batentes, as aldrabas, os postigos! Pormenores, deveras interessantes.

Pousadas nos velhos telhados, lá estavam as esbeltas chaminés alentejanas, erguidas aos céus como verdadeiras sentinelas protegendo as casas, e dando um toque de altivez à Vila de Avis.

As ruas esperavam-nos, enfeitadas com laranjeiras, de onde pendiam cachos de suculentos e apetecíveis frutos! A brisa que corria, ia deitando ao chão a flor branca da laranjeira, considerada símbolo da pureza, e que as noivas de outrora, faziam questão de levar ao altar.

Hoje, atapetavam as velhas calçadas por onde passávamos, e quando o vento soprava por entre as muralhas o perfume se espalhava, e a natureza sorria.

Visitámos alguns monumentos entre eles a Igreja do convento de S. Bento de Avis, onde as cantadeiras da Alma Alentejana cantaram em coro, junto ao altar, uma moda religiosa.

 

Lá em baixo as águas do Maranhão ajoelham-se aos pés de Avis, que lá de cima lhes ordena dizendo. Desdobrem-se, saciem os nossos campos, e eu as abençoarei.

 

Quisemos subir ao ponto mais alto de Avis, para darmos nossa despedida.

A torre da Rainha.

O panorama era deslumbrante.

Bastava, erguermos o braço para tocar no céu.

E perante tanta beleza, a poesia aconteceu.

Só que desta vez, foi acompanhada com o som melodioso da passarada.

Que fizeram questão de se juntar a nós; e no final a natureza presenteou-nos com o seu aplauso.

 

Seguiu-se o almoço no Martins, onde saboreamos umas deliciosas migas de espargos bravos, acompanhadas de carne do alguidar, vinho da terra, e mais algumas iguarias a que tivemos direito.

Terminámos a refeição cantando em conjunto como se de uma oração se tratasse dando graças a Deus por tão excelente convívio.

 

Logo de seguida caminhamos em direcção a Benavila.

Pequeno povo, mais um, dos tantos que tentam, sobreviver à desertificação que afecta o belo interior alentejano.

Visitámos a Fundação Abreu Callado.

E num salão dignamente decorado o Grupo Recordar a Mocidade pôs ao rubro todos os presentes, abrindo o espectáculo com melodiosas cantigas acompanhadas de variados instrumentos musicais, transportando-nos de imediato aos anos setenta, oitenta, terminando a sua actuação com uma alegre rapsódia.

 

Logo, o grupo dos cavaquinhos da Alma Alentejana, em conjunto com algumas das

Cantadeiras, já ajeitavam o cavaquinho, e desatavam a talega das cantigas.

Umas originais seus, outras do bem conhecido. “Cancioneiro alentejano”.

Pondo assim todos os presentes cantando em conjunto, como por exemplo a já famosa Vila de Frades, terminando com a bela Açorda Alentejana.

Foi deveras uma tarde memorável.

 

Dali seguimos visitando o resto da Fundação, onde encontrámos bem representada a vida antiga do dia a dia alentejano.

Aos nossos olhos aflorou a lágrima da emoção, o sentimento falou mais alto ao olhar-mos, a casa de habitação com seus utensílios tão conhecidos de todos nós, a casa da matança, o lagar de azeite, onde o cheiro ainda permanece; o velho palheiro transformado em cocheira, onde repousam por tempo indefinido as velhas carroças; que apesar de paradas, ainda nos transportam a um longínquo passado, de vida dura, mas onde a saudade faz questão de estar presente a cada momento, envolvendo-nos assim num turbilhão de sentimentos.

 

A poetisa se emocionou

          E a poesia aconteceu

                  A palavra então vibrou

                            O coração, se rendeu

                                       O olhar embaciou

                                   Só porque a alma doeu.

 

 

 

 

Terminámos esta visita ao passado.

E se há presente, que nunca será passado, este é um deles.

“”A prova do vinho””.

E neste caso, o bom vinho da Fundação Abreu Callado.

Onde o menos apreciador

Se rendeu ao seu sabor.

 

Gravamos em fotos, paisagens lindíssimas e inesquecíveis.

Mas gravamos nos corações, a lembrança maior.

As pessoas.

Que, apesar de poucas, foram suficientes para demonstrarem seu calor humano do qual não iremos esquecer.

A comprová-lo esteve o forte abraço na despedida.

 

Bem – hajam todos vós os que sabem receber, os que sabem abraçar quem os visita.

E também todos os que incentivam à preservação do nosso património, tendo sempre em mente que ele é o testemunho vivo da nossa história.

 

                                         Aquele abraço dos amigos

                                               “Alma Alentejana”

                                                           e

                                       Desta vossa amiga do coração.

                                                 

 

                                                        <Poetisa popular alentejana>>

                                                                 Rosa Guerreiro Dias

                                                                                                                                  8-4-2008

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publicado às 12:20


9 comentários

De Luis a 08.04.2008 às 17:08

Maravilhosa inspiração...cada vez mais apurada. Um pequeno reforço, na referência à recepção tida à chegada, complementada com o seu maravilhoso Poema «Gretada pelo Sol», a anteceder a Moda «O Alentejo não tem fim», interpretado pelas Cantadeiras da Alma Alentejana (o que se chama uma maravilhosa entrada de Leão).
Junto ao altar As Cantadeiras entoaram o Cântico Religioso «Ó Virgem Maria».
Quem abriu as actuações no Salão da Fundação Abreu Callado foi o Grupo COMTRADIÇÔES.
Finalmente: Não foi só a Poetisa que se emocionou/quando a Poesia aconteceu/Não foi só a Palavra que então vibrou/Não foi só um Coração que se rendeu/Não foi só um Olhar que então se embaciou/Não foi só uma a uma Alma a que doeu/...foram todos...e também eu. Obrigado.
O Alentejo não tem fim!

De Rosa Guerreiro Dias a 08.04.2008 às 17:39

Agradecida meu amigo.
Peço desculpa, que por lapso meu troquei o nome dos grupos que nos acompanharam a Avis

NÃO foi o grupo recordar a mocidade.

MAS , SIM , << O GRUPO CONTRADIÇÕES>>
Que brilhou em Avis junto com <<O GRUPO DOS CAVAQUINHOS E CANTADEIRAS DA ALMA ALENTEJANA Pelo engano aqui vão minhas desculpas. beij. Rosa

De joaquim avo a 08.04.2008 às 17:54

Amiga Rosa
Fiquei impressionado com o seu excelente trabalho.
É bom ter amigas assim com tanto talento.
Eu sou um nabo a mexer nos blogs, mas com a ajuda do Luis Moisão estou tentando entrar nesta área informática que acho apaixonante.
Acredite que de futuro passarei a contactá-la por este meio.
Um grande abraço.
Joaquim Avó

De joaquim avo a 08.04.2008 às 17:55

Amiga Rosa
Fiquei impressionado com o seu excelente trabalho.
É bom ter amigas assim com tanto talento.
Eu sou um nabo a mexer nos blogs, mas com a ajuda do Luis Moisão estou tentando entrar nesta área informática que acho apaixonante.
Acredite que de futuro passarei a contactá-la por este meio.
Um grande abraço.
Joaquim Avó

De Luis a 09.04.2008 às 00:47

O que interessa ao fim e ao cabo é que, e mais uma vez, o nosso Alentejo foi elevado lá muito bem alto.
A recompensa do que sentimos e permanece em nossa Alma - a tal «Alma Alentejana», é um «pagamento» mais do que valioso, não se pode medir. E para «embelezar» aqui o nosso Blog e «puxar» pelos outros nossos amigos para que aqui deixem também as suas opiniões, vou tomar a ousadia de deixar a letra do Cântico Religioso entoado em Aviz. Com uma pequena anotação: é a de que iremos ser contactados pelo Sr. Pde local para ali irmos participar numa Missa:
Ó Virgem Maria

1. Ó…ó Virgem Mari…iâ…â,
Ou…vi nosso can…an…to…o
Sois nossa alegri…i…iâ…â
Sois o nó…ó…sso…o encan…an…to…o
Côro
Com…om o vo…osso olha…á…ár…ár
Com…om vosso sorri…i…so…o…o… (Bis)
Vinde-nos guia…á…ár…ár
Pa…ra ó pa…ra…í…so…o…o…

2. Ó…ó Mãe bendi…i…itâ…â…
Vin…de-nos ouvi…i…ir…ir
Nesta grande di…i…tâ…â
Que…e vâ…âmos pedi…i…ir…
Côro
Dê…êsse alta…ar de lu…u…uz…uz
Num…um doce desê…ê…êjo…o…o… (Bis)
En…tre…gai Jesu…u…us…us
Ao no…ssoA…a…len…te…e…jo…o…o…

3.Vós…ós sois a Rai…i…nhâ…â…
Da…â grei lusitâ…â…âna…â…
Vós…ós sois a madri…i…nhâ…â
De alma alentejâ…â …âna…â…
Côro
Ó…ó Virgem Senho…ô…ôrâ…â
Vosso olhar feli…i…iz…
é…é luz protectô…ô…râ..â (Bis)
das Te…rras de Â…vi…i…iz….

Nota: os interessados em ouvir a gravação deste Cântico Religioso, terão que o solicitar neste Blog, à nossa Rosinha. Um abraço Alentejano para todos.
O Alentejo não tem fim!

De FERNANDO MÁXIMO/AVIS a 10.04.2008 às 01:10

Avis, dia 06 de Abril (da Liberdade) de 2008!

O dia estava ameno. Mais parecia de Verão do que de Primavera. No seu quintal, a Mariana Salgada escolhia algumas favas mais adiantadas, para o almoço, quando ouviu o rugir de um motor subindo a ladeira do Convento e disse para o marido, o Tonho Serôdio:
- Calhando vai aí uma excursão…
- E o que é que a gente tem a ver com isso? Se calhar queres te ir assomar. Vai mas é fazer o almoço que tenho a barriga a dar horas…
E a Mariana Salgada não se foi assomar à porta para ver quem era.

A Ti Maria da Quinta estava passando a ferro umas roupitas para a neta levar na segunda-feira para Évora, onde estudava, quando se apercebeu de muito barulho lá no Largo do Convento. Pouco lhe interessava quem quer que fosse e por isso continuou a passar a ferro.
A Ti Maria da Quinta não se assomou sequer à janela, quanto mais à porta, para ver quem era.

O Manel da Bezerra acabara de emborcar a sexta cervejola no Café da Bola, quando ouviu muito barulho ali ao pé, na Associação dos Amigos de Aviz, onde outrora existiu o Clube dos Ricos. Então, só eles, os ricos, lá entravam! Pensou, e não se enganou, que seriam passeantes que vinham visitar Avis a convite daquela rapaziada da Associação. Ouviu cantar, um cantar dolente e sentido. Mas ele só sabia “As saias” de Campo Maior. Aquele cantar era diferente. Bonito, mas diferente. Depois ouviu-os junto ao Pelourinho. Se nem os conhecia para quê estar a incomodar-se a ir dar uma espreitadela da sacada da “Bola”? Deixou-se estar sentado e pediu mais um prato de amendoins…
O Manel da Bezerra não se foi assomar à sacada .

A Joana de Jesus acabara de entrar na Igreja Matriz para assistir à missa, quando se apercebeu que alguém andava a visitar a casa onde viveu D. João I ali para a Rua da Mouraria. Mas estava na missa, e pecado seria sair e ir ver quem por ali se passeava…
A Joana de Jesus não se assomou à porta da Igreja.

Estas são algumas desculpas (de mau pagador) para tentar justificar o injustificável: a verdade é só uma - Avis está desertificada, tem pouca gente. Uma lufada de ar fresca, de alegria e de simpatia vinda lá dos lados da cidade de Almada, encheu de vida a Rua Machado dos Santos, o Largo do Convento, a Rua Manuel Arriaga, a Praça Serpa Pinto, o Largo do Pelourinho, a Rua e a Travessa da Mouraria, a envolvente à Muralha, O Convento, o Museu, a Torre da Rainha. E Avis, encheu-se de brio e alegria para bem receber as suas visitas. Elas mereciam. E Avis merecia receber umas visitas assim e para isso se esmerou. Fez as honras da casa, deu-lhes a provar as suas migas de espargos, mostrou-lhe o Clube Náutico e depois levou os seus convidados até Benavila, “Bena” para os amigos. E ali todos, os que vieram lá da cidade de Almada mais os que já estavam cá em Avis, gostaram de ver na Fundação Abreu Calado, o restaurante, mais o seu museu, mais a casa anexa, mais o pátio, mais o lagar. E gostaram da prova de vinhos. E provaram. E compraram. E gostaram! E foram felizes.
Não é verdade que foram felizes? Por mim confesso que chorei por três vezes – um homem também chora – mas a alegria superou tudo isso, e a força de vencer adversidades da vida foram por mim constatadas entre alguém que fazia parte desta gente amiga que veio lá de Almada.
Meu coração ficou exuberante com as cantigas dos ComTradições, mais com os Cavaquinhos, mais com As Cantadeiras. A minha pele ficou “de galinha” ao ouvir essa SENHORA da poesia que dá pelo nome de ROSA DIAS. Obrigado D. Rosa por me ter proporcionado esses momentos inolvidáveis de poesia tão bonita.
Por fim a abalada. A despedida. A saudade. Mas também a esperança de que um dia esta experiência poderá (e deverá) ser repetida. Assim todos nós queiramos. Nós, os de cá, queremos. E vós?
Em nome de uma terra que me recebeu como filho em 1969, tudo farei para a dignificar e por isso, trazer até ela gente como aquela que no passado domingo nos visitou é dignificá-la, mostrando o que ela tem de bonito para oferecer.
Para todos vós, sem excepção, pela amizade que nos trouxeram, pelas trocas culturais efectuadas e pela vossa simpatia, vai um abraço de gratidão do tamanho da imensidão deste Alentejo, que por vezes parece não se quedar junto ao mar e continuar por aí fora até onde o sol fo

De Rosa Guerreiro Dias a 10.04.2008 às 08:17

Bravo! Bravo!
Adorei! Adorei!
A poesia acontece
E tudo mais se esquece
Agradecemos do coração
A hospitalidade
A amizade
ABRAÇO da amiga
Rosa

De Ermelinda Toscano a 10.04.2008 às 23:23

Venho retribuir a visita ao INFINITO'S, que muito agradeço, nomeadamente pelos comentários em tantos artigos (que já respondi um a um).

Adorei ver estas fotografias de Avis, que não conheço. Fiquei com uma vontade imensa de passear por aquela terra... Excelente reportagem. Parabéns.

Vou linkar este blog lá no meu cantinho para nunca me esquecer de passar por cá sempre que tiver oportunidade.

Um abraço. E até domingo. :)

De Rosa Guerreiro Dias a 10.04.2008 às 23:51

Agradecida por sua simpatia
Vai ser interessante nosso encontro no Domingo na Alma Alentejana, fico na expectativa.
Até lá .
Aquele abraço da amiga certa
Rosa Dias

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