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"NOVO AMANHECER" De Rosa Dias

por Rosa Guerreiro Dias, em 13.10.11
"CASA DO ALENTEJO"
Na "CASA DO ALENTEJO"
‎8-10-2011

Esta tarde, com Isabel Wolmar, Rosa Calado (dirigente da Casa do Alentejo), Natália Pinto (da Alma Alentejana) e um representante de Rui Nabeiro, participei na apresentação em Lisboa do novo livro de ROSA DIAS. De referir que Rosa Calado salientou que Rosa "tem todo o Alentejo dentro dela. Ela é Povo"e Isabel Wolmar, destacou que se trata de "Poesia de profunda filosofia existencial. A sua poesia saiu da crisálida, fez-se mariposa e voou, voou, até ao infinito".

Transcrevo agora o texto que escrevi propositadamente para este evento:

Em toda a sua obra publicada (e inédita), Rosa Dias realiza uma Etnografia da Memória, que a Poesia enriquece, num jogo de apuro, com as palavras, que são paleta e objectiva, recolhendo elementos para quadros, que atravessam a fronteira dos sentidos, transportando o leitor até paisagens de amplos horizontes, onde o verso tem escala humana.
Na sua poesia, emerge a génese alentejana e camponesa, o património imaterial, que consubstancia as Festas do Povo, as profissões laboriosas das gentes do campo, as tradições marcantes, o saber - fazer identitário dos mestres, a linguagem pródiga em regionalismos, o colorido de um humor distinto, que apenas os alentejanos sabem fruir. Há na dimensão dos seus retratos, das suas telas rimadas, o fulgor de páginas de escritores, como o Silva Picão, de “Através dos Campos” ou o João Mário Caldeira de “Margem Esquerda do Guadiana, As Gentes, A Terra Os Bichos”.
Rosa Dias recorre, qual antropólogo, à observação - participante, para descrever vivências, interacções, modos de ser e de fazer, e até para registar que certos rituais pertencem ao passado, pois “o mundo está em mudança, hoje a vida tem outro fado.”
Em “Novo Amanhecer”, o livro que já nos levou a Campo Maior, numa noite de Verão mágica, importa realçar que o género é pedra de toque, para Rosa falar da sublimação dos dias, através do olhar feminino, assumidamente como complemento vital da Humanidade, na conjugação homem/mulher, em colectivo, pelos territórios do Amor.
Na página 63 há um poema que vale todo o percurso de tão esplêndida existência, pois se Eugénio de Andrade escreveu “Num prato da balança um verso basta / para pesar no outro toda a minha vida”, Rosa Dias conta-nos, em “A força de querer”, escrito há oito anos:
“Disse um dia, vou em frente;/ Gritou a vida, isso é que não!/ Julgas-te gente? Não és gente/ Larga a escola; ganha o pão//
“Assim me roubaram o prazer/ De estudar, p’ra ser alguém/ Mas esta força, do querer/ Ninguém a roubou, ninguém…//
“Ter de novo na minha mão/ A saca, o lápis, a sebenta/ Foi dizer sim, a esse não/ A caminho dos sessenta…”
A toada aleixiana, que pode estar subjacente à origem desta poesia, de raiz tradicional, é suplantada pelo cunho vincadamente alentejano, pela pegada desta cidadã do mundo, pela tatuagem dos dias no seu ADN, pois a par dos hinos ao sul, saboreamos passagens pelos Açores, por Alpedrinha, andanças por Lisboa, reflexões onde o Mundo surge, enquanto realidade do quotidiano, ao ponto de também ter composto um texto actualíssimo: o rap rep da minha vida.
Depois de Toadas Alentejanas (1989) e Anexins e Nomes Engraçados de Campo Maior (1997), “Novo Amanhecer” marca uma indomável vontade de viver e partilhar uma arte, que explodiu um dia, com a urgência da fome ou da respiração, no sangue intempestivo do Verbo.
Abençoada arte da fala, que tem proporcionado, de norte a sul, o convívio com esta pessoa maravilhosa, que espalha a harmoniosa beleza de sílabas morenas, trazendo trigais e cantares, lágrimas, suores e sorrisos, esperanças e destinos, em rimas que embalam momentos, encontros, lugares.
Rosa Dias, a menina - ave, que enfeitou de sonho a sua partida para a grande cidade e nela trabalhou, amou e construiu um ninho de amor e poesia, é a mesma que decorrido um percurso, eivado de peripécias e mágoas, nos interroga, como Carlos Drumond de Andrade, acerca da melhor forma de ultrapassar a pedra, que ficou no caminho.
Querida Rosa: É um enorme privilégio ser teu amigo e poder celebrar neste espaço único, como é o teu coração, as décadas de experiência que já acumulaste, qual tesouro onde a luz e a harmonia estabelecem o equilíbrio da essência.
Não há um poeta como tu, és irrepetível, a tua eloquência, a tua vivacidade são uma oferenda para todos nós.
Interpretas como ninguém esse fogo que te alimenta, em cada estrofe, em cada espaço, onde o som e o feitiço de te escutarmos, seduzidos pela musicalidade, pela força telúrica, pela justeza de cada vocábulo, nos permite guardar o pedacinho de lava desse vulcão de sabedoria que só tu sabes.
Como agradecer-te a ternura de seres?

Luís Filipe Maçarico
Fotos: LFM/ Paula Cristina Lucas da Silva

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publicado às 11:47


5 comentários

De Claudia Silva a 18.10.2011 às 12:49

Olá D.ª Rosa :) como esta a Sr.ª?
Espero que esteja recordada de mim e da mim colega (as meninas do Castelo de Silves), pois foi com muito gosto que a recebemos no nosso e vosso lindo Castelo de Silves e que a ouvimos declamar tão lindas poesias que o coração nos encheu de ternura.
Aqui fica um beijinho e votos de muitas felicidades.

Cláudia Silva
Castelo de Silves

De Rosa Guerreiro Dias a 19.10.2011 às 08:37

Olá minhas lindas! Como esquecer dois rostos simpáticos, sentindo a emoção de minha poesia! Aí nesse belo Castelo de Silves, se tiver o vosso e-mail enviarei alguns trabalhos de minha autoria para "As meninas do Castelo".
Agradecida pelo carinho!
Deus vos abençoe
Beijinho da amiga certa
Rosa Dias

De Rosa Guerreiro Dias a 19.10.2011 às 08:41

Olá minhas lindas! Como esquecer dois rostos simpáticos, sentindo a emoção de minha poesia, a quando da minha passagem pelo belo Castelo de Silves?
Se tiver o vosso e-mail enviarei alguns trabalhos de minha autoria para!
"As meninas do Castelo".
Agradecida pelo carinho!
Deus vos abençoe
Beijinho da amiga certa
Rosa Dias

De Priscila Vieira a 20.10.2011 às 10:32

Olá, está tudo bem com a senhora?

Agora é a minha vez de dar um olá (Priscila).

Não há um dia que não me lembre do seu poema maravilhoso.
Quando ter novidade venho cá contar, para ver se acertou, ou não, no género do meu bebé.

Tomara que todos os visitantes fossem como a senhora, calorosos e simpáticos.

Beijinhos e muito sucesso na escrita. :)


De Rosa Guerreiro Dias a 23.10.2011 às 18:56

Espero noticias e irei dando noticias, agradecida por vossas palavras acerca de minha pessoa! Sim têm razão, nem todas as pessoas têm este jeito de cativar as pessoas! Mas também nem todos têm o dom de simpatia como as minhas meninas do Castelo de Silves! Num Castelo fiquei encantada convosco minhas lindas, gostei de vós, desejo do coração que sejam felizes e que um dia as possa de novo encontrar, e desta com mais um rebentinho e que venha para o bem, seja menina ou menino!
Deus vos abençoe meus amores , gostei de vós!
Xau beijinhos da amiga certa
Rosa

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