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PARA TODOS OS PAIS DO MUNDO!

por Rosa Guerreiro Dias, em 30.10.10

 

 

O valor do tempo

 

António chegava a casa, depois de mais um dia de trabalho sentia-se cansado, irritado consigo próprio, pois a sua vida era, casa trabalho, trabalho casa, sem espaço sequer para relaxar um pouco com família filhos ou até mesmo os amigos.

À porta de casa, e como sempre acontecia, lá estava o seu filho o pequeno Helder que aparentava cerca duns seis anos de idade, que todos os dias esperava por ele, a criança correu na direcção do pai pendurando-se ao seu pescoço, o pai retribuia o abraço do filho, ao mesmo tempo que dizia, vai filho vai brincar que o pai vem muito cansado.

Helder olhou o pai, e disse!

Pai!

Posso fazer-te uma pergunta?

O homem sem grande vontade e ao mesmo tempo que caminhava dizia!

Diz lá o que é tu que queres, mas rápido, que o pai vem cheio de fome, e ainda tenho que tomar um duche.

A criança perguntou então!

Ó pai, quanto ganha o pai em cada hora de trabalho?

Ó filho, não estou a perceber qual o interesse?

Eu gostava de saber quanto o pai ganha à hora, só p’ra saber!

António não estava entendendo a pergunta do filho, mas só para ser deixado em paz disse, ganho cerca de 15 euros por hora, já estás satisfeito, agora vai brincar.

A criança diz repentinamente, o pai pode-me emprestar dez euros?

António já estava a ficar sem paciência e de voz alterada pergunta para que queres tu os dez euros?

É p’ra comprar uma coisa que me faz falta!

Que precisas tu que não tenhas? Perguntou o pai!

É uma coisa, uma coisa que eu não tenho e eu queria ter, repetia a criança.

Ó filho o dinheiro custa muito a ganhar, ainda se dissesses para que é?

Ó pai é uma coisa cá minha, mas pronto se não me podes dar tudo bem…

O pequeno Helder virando as costas entrou no seu quarto fechando a porta de seguida.

António depois de cumprimentar a esposa dirigiu-se à casa de banho para tomar o bendito duche, enquanto o fazia, a conversa que tinha tido com o filho martelava em sua cabeça!

Depois dum rápido mas delicioso banho, vestiu um fato de treino, e antes de ir jantar, dirigiu-se ao quarto do filho, abriu a porta e deu com o menino esticado sobre a cama vendo televisão.

António, sentou-se na cama do filho dizendo, sabes filho, estive a pensar melhor sobre o pedido que me fizeste, e então decidi, vou dar-te os dez euros, aqui os tens.

Os olhos da criança voltaram a brilhar, saltou da cama, beijava o pai ao mesmo tempo que dizia, obrigada pai, tu és o melhor pai do mundo.

Depois desta manifestação de alegria que deixou António emocionado!

A criança correu em direcção ao seu mealheiro, de onde tirou uma nota de cinco euros que juntou aos dez emprestados pelo pai, e orgulhoso disse.

Pai, eu agora, já tenho quinze euros, já posso comprar uma hora do teu tempo!

Por favor o dia que te der mais jeito lá no teu trabalho, vem mais cedo para casa para poderes jantar comigo e brincarmos um pouco.

Pois eu janto sempre sozinho!

E sinto saudades de estar contigo.

 

António ficou sem palavras!

E com lágrimas nos olhos, puxou o filho para si, e abraçando-o dizia em voz baixa, desculpa filho, desculpa o tolo do teu pai.

 

Esta história é real nos tempos em que vivemos, e serve de chamada de atenção para todos os que trabalham arduamente dia a dia sem tempo para mais nada.

Não é sábio, deixar escorregar entre os nossos dedos o tempo!

Sem ter passado algum desse tempo, com aqueles, que realmente são importantes p’ra nós.

Aqueles que estão mais perto do nosso coração.

Será bom, não esquecermos de compartilhar esses 15 euros do valor do nosso tempo, com alguém de tanta importância como são os nossos filhos, e mais ainda, é nesta fase de crescimento que os nossos filhos mais precisam de nós, e que gravam nas suas mentes os momentos bons e maus que os irão acompanhar até ao fim das suas vidas.

 

Quando a morte chegar!

E que todos nós sabemos que pode acontecer dum momento para o outro!

A empresa para a qual estamos trabalhando, poderá facilmente substituir-nos numa questão de horas.

 

Já a família, os filhos e os amigos que deixarmos para trás irão sentir essa perda para o resto de suas vidas…

 

 

"Texto de autor desconhecido"

 

""POETISADO POR""

 

 Rosa Guerreiro Dias

 

29-10-2010

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publicado às 09:13


1 comentário

De Joaquim Avó a 05.11.2010 às 23:59

Amiga Rosa
Recebo com frequência mensagens denunciando injustiças, especialmente dos chorudos ordenados e reformas dos políticos que nos (des)governam, solicitando-nos a sua divulgação para alertamos as pessoas para que num futuro próximo não se deixem enganar pelas pessoas quem muito prometem e nada fazem.
Li este texto e digo-lhe que fiquei bastante emocionado, obrigando-me a olhar para trás e ver-me na posição daquele pai que involuntáriamente procedeu daquela forma. É verdade, a vida complica-se no dia-a-dia e há muitos casos como estes, que são o resultado da forma como somos tratados nas empresas que nos dão trabalho e que não olham a meios para atingir seus fins e que são " atingir o máximo de lucros com o mínimo de custos".
Voltando novamente a este gratificante texto, obriga-nos mesmo a divulgá-lo ao maior número de pessoas, mesmo não sendo os nossos melhores amigos.
Obrigado amiga Rosa pelos momentos que considero psicoterapeuticos que me proporcionou.
Um abraço do amigo certo
Joaquim Avó

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