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Homenagem ao meu padrinho!

por Rosa Guerreiro Dias, em 07.10.10

António Ervedoso

História

 

   Biográfica

 

       Da Vida e Obra

 

             de "António Ervedoso"

 

António Inácio Ervedoso.

Nasceu em Setúbal a 27-1-1925 onde viveu até aos seis anos de idade.

Já aí, António Ervedoso mostrava o seu talento no campo das artes.

Corria para a praia de Setúbal onde se sentava horas a fio, pintando os barcos que passavam sobre as águas do Rio Sado, assim como toda a natureza envolvente.

 

Ervedoso foi um autodidacta…

Não lhe eram conhecidos antecedentes familiares que estivessem ligados às artes, nem tampouco frequentou qualquer escola da especialidade!

Só um seu irmão, o mais novo Joaquim Inácio viria mais tarde a ser um dos principais desenhadores da Cuf.

 

Viviam-se tempos difíceis!

Os pais de António, decidiram procurar melhor vida, e assim rumaram a Beja, cidade onde iriam criar seus filhos com um futuro mais promissor!

António ali frequentou a escola do primeiro ciclo juntamente com seus irmãos!

Continuou estudando até que aos dezoito anos com seus pais e irmãos regressam à margem Sul instalando-se no Barreiro.

António era o mais velho dos três filhos do casal.

Com a morte de seu pai, teve que recorrer ao trabalho para ajudar sua mãe na criação de seus irmãos.

Empregou-se em Lisboa, ali P’rá Bairro Alto numa firma chamada “C.Miller” que exportava objectos de decoração.

E foi aí, que António Ervedoso começou a dar largas á sua imaginação artística!

O seu talento não passava despercebido, e foi esse talento que o fez ganhar a admiração de patrões, e colegas que com ele conviviam!

Ervedoso era um jovem humilde muito reservado, introvertido, como a maioria dos grandes artistas. 

Na “C. Miller” viria a conhecer a mulher que o acompanharia até ao fim da sua vida Ilda Ventura, também ela, uma artista no campo da pintura!

E que seria a mãe dos seus dois filhos! Ana Margarida e Carlos!

Foi a arte, e algumas circunstâncias da vida que os aproximou, e fez aflorar neles uma paixão que os levaria ao casamento.

Ervedoso saiu da “C.Miller” em 1959, indo-se instalar em Cacilhas onde montou a sua própria Industria de candeeiros artisticamente pintados; chegou a ter 14 funcionárias na feitura de abajures.

 

 As obras de Ervedoso eram adquiridas por várias lojas de arte da capital, que por sua vez as exportavam para o Estrangeiro.

Nesse mesmo ano estava em construção o novo “Hotel Estoril Sol” onde Ervedoso viria a obter o 1º lugar no concurso para a aquisição de candeeiros.

Em 1962 a “Ponte Salazar” hoje “Ponte 25 de Abril” estava sendo inaugurada.

Os repórteres que faziam a cobertura sobre a cerimónia; souberam por portas travessas da arte de António Ervedoso e fizeram questão de fazer uma reportagem sobre a “ Oficina das Artes”.

Ervedoso embora se sentisse feliz com a divulgação, continuava no entanto no seu canto, fugindo sempre aos olhares indiscretos, e assim, foi camuflando a sua arte, sem que parte do mundo tivesse o privilégio de usufruir das belezas naturais que jorravam naturalmente da sua alma.

Nasce a sua primeira filha, decide então mudar de casa, vai para Vila Nogueira de Azeitão onde permaneceu durante dez anos.

Pouco tempo depois de ali estar, nasce o seu 2º filho, ali cresceram e passaram a sua meninice até à sua entrada para a escola.

 Ervedoso decide então realizar um sonho que há muito acalentava dentro de si, o de construir a sua própria casa onde poderia ter, seu próprio espaço, sem que fosse incomodado, quando se dedicava à pintura.

Foi Mira Tejo, o local escolhido para que o artista desse largas á sua fértil criatividade.

 

As suas mãos incansáveis viviam recheadas de arte, onde o instrumento principal podia ser um simples pincel, que embebido em tintas de variadíssimas cores, se deixava desmaiar sobre a nua tela e a transformava numa obra única! Deixando todos nós quedos de espanto.

As pausas no trabalho, eram poucas, apenas o tempo de fumar um cigarro ou beber um café, e logo corria para os braços dum espaço que era só seu, onde guardava o tesouro das suas mãos! A Pintura.

Foi autor de muitas obras em maquetas pintadas, que floriram e abrilhantaram os palcos de alguns festivais da canção infantil, a nível do país, e de algumas Marchas de Lisboa!

Vindo também a construir a maqueta da igreja Nova de Mira Tejo.

 

Nasceram muitos trabalhos artísticos das mãos deste homem que nasceu e viveu apenas para a arte.

Numa cave, de paredes toscas, onde o sol espreitava a medo através das pequenas janelas rentes ao tecto, podia-se ler o texto escrito pelo artista …

 

“O artista criativo leva uma vida dupla!

Parte sendo humana, a outra artística!

Elas nem sempre coincidem…

Desde que a vida não se intrometa nem interrompa o artista…

Ele cria uma Obra – Prima “

                                                “Ervedoso”

 

António Ervedoso!

Era um homem de bom coração, meigo, carinhoso, educado, mas que vivia afastado da vida social, desejando sempre não ser interrompido, e assim viveu os seus dias criando, sempre criando, até á sua morte no ano de 2009.

 

Hoje, todos aqueles que privaram de alguma forma com António Ervedoso, ao olharem a sua magnifica obra inacabada;

 

Ficam com a certeza, que o artista guardou dentro de si até ao último momento, a imagem e os sonhos, daquele menino, que pintava os barcos que se balançavam, nas águas verdes azuladas das “Praias do Sado”.

 

Para! António Ervedoso

Da prima e afilhada com muita admiração e carinho…

 

Joaquina Rosa Pedreiro Guerreiro Dias

Poetisa Popular Campomaiorense

“ Rosa Dias”

1/10/2010

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publicado às 00:43


3 comentários

De seCláudia Martins a 31.10.2010 às 23:56

Cada pessoa que se vai, é uma perda irreparável. Não importa o quanto convívio tenhamos, nunca é o bastante para se conhecer o outro - nós, que quantas vezes nos surpreendemos com o que vamos conhecendo de nós mesmos... Lamento sinceramente a perda da família do primo Ervedoso, sinceramente. Parecia que ele e sua obra se bastavam. Com ele foram uma sensibilidade e criatividade únicas. Lamento...

De alice ruivo a 31.12.2010 às 01:20

Querido amiga Rosa.
Ergo a taça ao teu padrinho. Deve ter sido um homem muito interessante. É bom lembarmos pessoas que amamos.
Teria sido um prazer conhece-lo.
Um beijinho para ti e votos e um feliz ano novo.

De ana ervedoso a 01.12.2012 às 22:49

PAI..............amigo, artista. Tenho tantas saudades tuas, das tuas palavras do teu olhar da tua mão na minha cabeça do teu sorriso cansado.Eras uma pessoa de grande sensibelidade, boa, humilde, Obrigado a quem construiu esta maravilha. Um beijo meu ANJO.

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