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Eu, a Azevia e o Gato Preto

por Rosa Guerreiro Dias, em 25.03.08

 

" CONTO DE NATAL"
1º PRÉMIO DE 2009 Nuns Jogos Florais da margem Sul"" 

HISTÓRIA VERÍDICA CONTADA POR UM DOS PERSONAGENS"" 

Eu, a Azevia 
E o Gato Preto…

Estava terminando o ano de 2007.
Era noite de Natal!...
Já fazia uns bons anos que essa noite era passada em casa de minha filha Mena onde se reunia a pequena família.
Meu marido já tinha ido para lá, com nosso netinho Diogo, e eu ficara a fazer as azevias na minha casa, ficando só, me despacharia mas rápido, para depois me juntar a eles que já ansiavam minha chegada, e muito em especial as belíssimas azevias da avó Rosa.
A casa da minha filha ficava perto da minha, como tal o caminho fazia-se bem a pé.
Depois de terminar este labor que bem me custara, pois minha coluna estava muito doente, e certos trabalhos como este de amassar e estender a massa, era tarefa que nem devia pensar, quanto mais fazer!
Mas como sempre lá ia para diante, pondo como de costume em primeiro lugar, a satisfação de ajudar e fazer os outros felizes, e neste caso era um caso especial pois todos adoravam as minhas azevias, e além do mais era noite de Natal.
Nessa noite não fiz muitas, como era meu hábito fazer, estendi apenas meio quilo de farinha, que deu para encher um prato e parei por aí. 
Logo que acabei ajeitei as coisas, coloquei o prato das azevias num saco com todo o cuidado, coloquei aos ombros minha capa de malha preta que por sinal era bem quentinha, e saí de casa com rumo a casa de minha filha.
A noite estava em silêncio, ninguém pelas ruas, apenas o Céu, a Terra, as estrelas e as luzinhas piscando aqui e ali nas janelas das casas!
As árvores despiam-se, deitando ao chão suas folhas amarelecidas, que formavam um tapete por onde eu passava, como se de propósito, ali fosse colocado.
Eu caminhava envolta em meus pensamentos, ia calma, serena, estava passando à escola onde meus filhos e netinha tinham andado, quando por entre os caixotes do lixo surgiu um gato preto de olhos verdes reluzentes tanto ou mais brilhantes que aquelas luzinhas que piscavam das janelas e que faziam a delicia dos mais pequeninos em noite de Natal.
O gatinho miava, miava em direcção a mim, parei e falei-lhe com voz suave, meu pequenino, em noite de Natal e tu tão sozinho!
Cheguei mais perto dele, agachei-me no intuito de lhe fazer uma festinha, ao que ele não quis, talvez por receio que lhe fizesse mal, continuei dizendo anda cá pequenino, não te faço mal, parou, e eu tirei do saco uma azevia, coloquei-a em cima de uma folha que acabara de cair ao chão, ele aproximou-se cheirou, tornou a cheirar, e começou a lamber a azevia, dando uma dentada, logo outra, sempre olhando para mim, enquanto eu de cócoras a uma distância relativa presenciava a cena dizendo ele é pequenino bichaninha, bichaninha. 
Nos meus olhos aflorou uma lágrima, estava sentindo uma felicidade tão grande, por estar proporcionando a um gatinho maltês um verdadeiro banquete, numa noite de Natal. 
A azevia foi toda.
O gatinho lambendo e relambendo olhava para mim como querendo dizer obrigada amiga por esta doce consoada.
Peguei no saco, e no silêncio dessa noite já bem escura, retomei o caminho da casa da minha filha, sempre olhando para trás até o gatinho desaparecer por entre os caixotes do lixo.
Eu caminhava, mas agora com uma alegria interior, que me provocava um sorriso nos lábios apenas presenciado pela terra, o Céu e as estrelas, dirigia-me para a porta da casa da minha filha e só o estalar do trinco abrindo a porta me despertou deste momento mágico que acabava de viver.
Gravei este momento no meu coração, e por mais que viva não irei esquecer esta noite de Natal!
Em que partilhei as deliciosas azevias da avó Rosa!
Com um gatinho maltês!
De cor preto!
De olhos verdes e reluzentes!
E de olhar meigo e enternecedor!...

Rosa Guerreiro Dias
26-12-2007

 

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publicado às 19:47



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