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LOBOZINHO DISFARÇADO

por Rosa Guerreiro Dias, em 14.04.10

 

 


 

E

O toque da Sineta

 


Não faças por ver fazer

Ou porque é chique ajudar

Dá com alma, com prazer

Algo que tenhas p’ra dar


Quem deu dez, diz que deu cem

E tem que logo apregoar

Leva os dias num vaivém

Quer todo o mundo informar

 

Lá no fundo, sabem bem

Que assim não deviam ser

Mas vaidade neles, é lei

Na lei deles vão viver

 

Dádiva que vem de dentro

Só quem recebe, a verá

Não é apregoada ao vento

Nem badalada será

 

Só mais um pode saber

Toda a intenção escondida

É “Deus”, que nos vai escrever

No livro da morte ou da vida

 

Que favor estás tu fazendo

Que não pudesses fazer

Tens celeiros abarrotando

Tens o pão a apodrecer

 

Dás um, e sobram-te montes

Tudo te sobeja em fartura

Partirás antes que o contes

A vida é de pouca dura

 

Se pudesses, no teu ultimo segundo

E numa hipocrisia triste

Apregoavas ao mundo

Todo o bem que repartiste

 

Destes, há por aí com fartura

Santas falsas, falsos santos

Gente reles, que muito dura

Finam muitos; ainda há tantos…

 

Rosa Guerreiro Dias

 

15-1-2006

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publicado às 10:14


6 comentários

De António Silva a 15.04.2010 às 11:27

Estimada Rosa Dias
A sua poesia continua a surpreender-me e em certa medida, ela enquadra-se no estilo de poesia que eu faço. Parabéns, gostei, continue.

António Silva

De Rosa Guerreiro Dias a 15.04.2010 às 14:23

Olá caro António!
Acabei de ver os seus comentários.
Agradeço as bonitas e animadoras palavras com que me presenteou.
Não me lembro se já fomos apresentados, ainda assim dou-lhe os meus parabéns pela visita que fez ao meu blog.
Irei com certeza visitar (rimar-contra-a mare) e deixarei meu comentário consoante a minha apreciação.
Deixo aqui saudações poéticas.
Da já amiga
Rosa Dias

De António Silva a 15.04.2010 às 23:35

Estimada Rosa Dias
Fico contente pelas suas palavras que muito me sensibilizam. Perguntou-me se já fomos apresentados, a resposta é que ainda não, eu comecei a escrever poemas com regularidade apenas desde 2008, antes fazia quadras soltas, mas começaram a ser tantas que tinha dificuldade em arrumá-las.
Só em 2008 comecei a fazer algumas apresentações para que fui convidado e comecei a escrever sobre temas do dia-a-dia e sobre a vida em sociedade, que têm tido uma boa aceitação.
Pode continuar a visitar o meu blogue ou a minha página nos Confrades da Poesia.
Irei enviar para lá mais 4 poemas para o boletim de Maio.
Cordiais Saudações
António Silva

De JOAQUIMAVO@GMAIL.COM a 15.04.2010 às 23:08

Cara Amiga
Acabo de ouvir esse belo poema de se acreditar e li o loutro que como é hábito me surpreende sempre pelo melhor.
Admiro todos os seus poemas, especialmente por clamar justiça e nalguns deles reclamando-a mesmo.
Continue com esse brilho que nos encanta e enriquece a poesia alentejana.
Assim «O ALENTEJO NÃO TERÁ MESMO FIM»
Joaquim Avó

De (So) Luis a 18.04.2010 às 11:23

«Há Lobos sem ser na Serra/Eu ainda não sabia/Debaixo do arvoredo/trabalham com valentia»

«Trabalham com valentia/Cada qual na sua arte/Eu ainda não sabia/Há lobos em toda a parte»

...e há muitos por aí «encapuçados»...Abraço

De Rosa Guerreiro Dias a 19.04.2010 às 13:34

Quadras que fazem sentido nos dias em que vivemos.

Há lobos em toda a parte
Trabalham com valentia
Cada qual na sua arte
Eu ainda não sabia

Há lobos sem ser na serra
Espalhados por toda a terra
Eu ainda não sabia
Escondem-se p'ra meter medo
Debaixo do arvoredo
Trabalham com valentia.

Eu ainda não sabia
Que esta raça se movia
Num cauteloso caminhar
Andam mesmo ao nosso lado
Vamos mas é ter cuidado
Que estes não são de fiar.

Aquele abraço da amiga certa
Rosa

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