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ALQUEVA RUMO AO FUTURO

por Rosa Guerreiro Dias, em 16.03.10

 

 

Alqueva

 

Alqueva abriu seus braços ao seco Alentejo

Cobrindo com suas águas parte do passado

Onde há muito se acalentava o louco desejo

De ao branco Alentejo, traçar outro fado

O velho sobreiro lá vai soluçando

E toda a passarada anda meio perdida.

O povo de olhar triste lá vai lamentando

De mágoas chorando, vai culpando a vida.

Todos nós sabemos!

Que o sonho era antigo, e muito importante.

Que todo este mar de água

Nos fazia falta p’rós campos em flor

Mas também sabemos

Que o sofrimento que este povo sente

Vai matando gente, vai espalhando a dor.

O famoso Alqueva p’los campos se estende!

Quem passa junto do rio, ouvirá então

A voz sufocada, que mal se entende

No fundo do lago

Morrendo em paixão.

Tu foste mãe de muita gente, minha Luz amada.

Tu e teus filhos não têm regresso.

Deixaram nas vossas mãos um pouco de nada.

E no lugar da vida, pousou o progresso.

Cegonhas contam a seus filhos toda esta mudança.

Falando do velho ninho que foi de sua mãe

E da pena que sentem, de todo o velho, de toda a criança.

Trauteiam com esperança, que tudo acabe em bem.

O Alqueva traçou novo rumo, à terra do pão.

Enquanto o alcatrão avança

E aos poucos alcança

Os montes da solidão.

 

 

Rosa Guerreiro Dias


6-7-2008

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publicado às 20:56


2 comentários

De Júlia a 17.03.2010 às 11:07

As mudanças acontecem lentamente. Os sentimentos são contraditórios. Gostaríamos que a nossa paisagem permanecesse intocada, mas também gostaríamos de que a terra não fosse tão madrasta para os seus e os forçasse a partir.
Abraço
Júlia

De (So) Luis a 02.04.2010 às 17:53

«Ó Alqueva/Ó Alqueva/Eu chamo e ninguém responde.../
Quem te leva/Ó Alqueva/Ninguém me diz para onde....»
Terra onde o Cante deixou de formar sentido...é «terra abandonada»...ou «aldeia fantasma»...
Um abraço.
O Alentejo não tem fim!

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