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PARTILHA DE SENTIMENTOS

por Rosa Guerreiro Dias, em 17.10.09

""Cartas de amor""

 

Vilar Formoso 14-10-2001

 

Querida sobrinha não imaginas com que alegria, recebi a tua ultima carta.
Peguei nela com muito cuidado e fiquei alguns minutos a olhar para o envelope antes de o abrir.
Por sinal nesse dia, estava um pouco adoentado e desmotivado, mas a tua carta veio dar-me outro ânimo, porque afinal as pessoas amigas sentem sempre um pouco as dores uns dos outros, muito além da distância e da ausência.
Sorri quando li que estavas bem feliz e com muita paz na vida! Parece incrível mas senti um pouco dessa tua alegria através daquelas palavras.
Aquele brilho especial das tuas palavras; voltou ao meu olhar.
Mas desta vez era um brilho cristalino que me escorria dos olhos e que teimava em disfarçar.
A minha alma sentia a saudade e a distância que me separava das minhas queridas sobrinhas.
A ti minha querida devo alguns momentos de felicidade, quando leio alguma carta tua, pois a doçura das tuas palavras são de pura e terna poesia.
É verdade: quanto a mim por capricho do destino não conheço profundamente o sentido desta palavra felicidade.
Diz a lenda que subindo a uma grande montanha se encontraria a felicidade.
Houve quem corresse até ao topo, quem atropelasse gananciosamente os outros mas quando chegavam ao cume não encontravam nada.
Quem sabe se a felicidade não era construída na subida ao topo, nas flores, nos tropeções e nas pequenas coisas que podíamos encontrar enquanto subíamos.
Por isso esqueci a felicidade, e voltei a sentir as pequenas coisas que nos rodeiam, que surgem na vida, e que nos fazem acreditar que tudo é belo e cheio de magia.
Basta deixar transparecer o brilho da nossa alma.
A felicidade está naquilo que julgamos serem pequenas coisas, num sorriso, num abraço, num beijo, no azul do céu, e enfim em todos os momentos do dia a dia.
Aquilo que nos faz feliz está diante dos nossos olhos, e que chegamos a ignorar pensando que é muito pouco e não reconhecendo o seu verdadeiro valor.
Neste momento estou a olhar para a tua carta que se tornou num tesouro inigualável, e cheio de sensações.
Agradeço do fundo do meu coração todas as palavras escritas na tua carta.
Espero que continues sempre com uma chama acesa na tua alma.
A magia e força de viver, o dar o melhor de mim a todos e em todas as situações, contagiou a minha vida.
Vive o melhor que poderes, onde quer que estejas e sorri, sorri sempre:
= Adeus um beijo do tio que te ama.


Tomaz do Carmo Pedreiro

Nascido em 14-5-1919

 

P.S.
Escreveu-me a minha filha Isabel e fala muito em ti.
Aí te mando a carta dela.
Já lhe escrevi a dizer que no mês de Agosto vou lá passar uns dias a Campo Maior mas gostava de ir quando tu lá estivesses, porque ao pé de ti é que me sinto bem.
Um abraço ao António
E muitos beijos para ti e para os filhos e para os netos da ti < Jaquina>.

*****

Este, foi o jeito que encontrei de homenagiar o meu querido tio Tomaz  deixando aqui transcrita uma das ultimas cartas que me enviou, antes de partir.

Estou feliz por ter contribuido  um pouco, para que a felicidade brilhasse, nas palavras e no olhar do meu querido tio, ainda que por instantes, valeu a pena.

Que esta carta sirva para despertar consciências adormecidas e as active para o valor da partilha, para o prazer que está no simples acto de dar e receber afectos.

 

 Notem:

Como uma simples carta pode alterar o dia a dia de um idoso que vive em solidão.

 

                                    

Vamos dar a nós mesmos a oportunidade de sentirmos  nem que seja por instantes, a verdadeira felicidade, que reside inteirinha, na simples palavra;

                               <AMOR >

 

            Á MEDIDA QUE SE VAI DANDO

O AMOR VAI AUMENTANDO.

 

Rosa Guerreiro Dias

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publicado às 00:08


1 comentário

De joaquimavo a 20.10.2009 às 23:43

O amor é realmente o alimento da vida. Quando as pessoas são menos jovens ainda sentem mais este sentimento.
Paz à sua alma.
Um abraço
Joaquim Avó

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