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PARABENS ZÉZINHA

por Rosa Guerreiro Dias, em 22.11.08

Parabéns querida amiga Zézinha

 

       

Para as minhas amigas

 

Bia pequena em estatura

És minha amiga querida

Dás-me atenção e ternura

Quando me sinto perdida

 

És pequena e engraçada

Para ti não há fronteiras

Bia amiga desejada

Por todas as companheiras

 

Fá, vamos recordar agora

Nossos passeios e segredos

De encontros fora de hora

Galgando sonhos e medos

 

Férias por nós desejadas

Com esperança a perder de vista

Juventudes apressadas

Duma amizade altruísta

 

Vinita tu tens doçura

Que eu recebo com carinho

Tu és o sol que perdura

Nas agruras do caminho

 

Sai de casa, olha a vida

Vem comigo aproveitar

A vida, está de fugida

A saudade vai ficar

 

Milú, teu saber é arte

É teu e nasceu contigo

Com esse teu dom, marcaste

O crer que trago comigo

 

E este crer querida amiga

Vou guarda-lo qual tesouro

Tem mais beleza que a espiga

É mais valioso que o ouro

 

Micá de ti falarei

Almas gémeas porque não?

Esta amizade não tem lei

Nas coisas do coração

 

Nossa união e partilha

Vive em nós sem estar perdida

A velha amizade brilha

Nos solavancos da vida

 Meus filhos

 

Filhos das minhas entranhas

Miguel, Paulo e Pedro

Mas a vida tem destas manhas

Deu-me outro filho, o Leandro

 

Todos filhos da minha alma

Filhos do meu coração

Aqui no Alentejo da calma

O amor está sempre em chama

Repartido em colo e pão

Meus netos

 

Espreito o dia pela manhã

É um prazer p'ró olhar

Alguem diz, avó mamã

É o Duarte a chamar

 

A Carlota é um miminho

Que Deus me quiz oferecer

E o Pedro com seu jeitinho

Dá gosto vê-los crescer

 

Meus netos, são o sol a pino

Clareando os meus sentidos

Do grande ao mais pequenino

Todos são meus netos queridos

 

 Bernardo o meu trigueiro

Meu neto achocolatado

O Rodrigo o beijoqueiro

O Tomás o aplicado

 

Não há outro bem maior

Que ver minhas raizes crescer

Raizes dum grande amor

Dando alento, ao meu viver.

 

Já tinha este ramo de flores

Mas p'rá jarra ficar mais bela

Vieram mais três amores

Eduarda, Tomás e Daniela

 

Meu Pai

 

Andou pelo mundo perdido

Sem rumo, sem direcção

Mas voltou arrependido

Conquistou nosso perdão

 

Já velhinho e enfraquecido

Voltou de novo a viver

O meu paizinho querido

Esteve aqui, até morrer

Minha Mãe

 

Minha Mãe minha mãezinha

Não te quero enciumada

És minha mãe, sempre minha

Minha  querida mãe amada

 

E não houve melhor maneira

De eu te poder demonstrar

Que trazer-te p'rá minha beira

P'ra te poder confortar

 

E não foi isso que eu fiz?

Não estás aqui minha mãe?

Espero bem que sejas feliz

P'ra eu ser feliz também

 

Minha irmã

 

Nascidas do mesmo ventre

O mesmo sol nos criou

Olhámos a vida de frente

E a vida assim começou

Criadas na planície

Entre papoilas e trigo

A vida em segredo nos disse

Larga o campo, vem comigo

E nós sorridentes, loucas de desejo

Dissemos adeus ao nosso Alentejo

E ele a chorar, escreveu no vento

Sei que irão voltar, a qualquer momento.

 

Tu sonhas que voltas, e a tua alma chora

Nas modas que cantas, até que chegue a hora

Há um novo encanto, transformado em fé

Que te dará alento, ao voltares Nazaré

 

E a escrita que é lei, em mim se cumpriu

Pois eu já voltei, e o Alentejo sorriu.

 

Família

 

Meu primo Quinito

Esta tua prima irmã

Transporta num grito

Um novo amanhã

 

Tu chegas ao monte

E o sol se levanta

Abraças a gente

E a natureza canta

 «

Tu serás sempre a Sandrinha

De quem sempre gostarei

Sou tua amiga e madrinha

Sou tua prima, tua mãe

 

Filha dum primo querido

Neta duma tia amada

Para mim faz todo o sentido

Estares nestes versos versada

 «

Tia Mimi sempre atenta

Sempre pronta para ajudar

Chego à Aldeia, bato à porta

Logo ouço, pode entrar

 

Sendo tia por afinidade

É minha tia também

Tias assim, na verdade

São tias com colo de mãe

 «

As noras

As noras são a viga, a madre da casa

São braços em briga, sob o sol que abrasa 

São mães das sementes, pelo monte espalhadas

Papoilas contentes, de cor desmaiadas

São o vaso com terra, onde a semente cresce

Sem medo da guerra, mas de olhares em prece

São mulheres com alma, prenhes de sentimento

O bem que as acalma, foi preso no vento 

Juventudes idas, num amor profundo

De mulheres sentidas, esquecidas pelo mundo

 

Para ti amor

 

Meu amor da juventude

Caixinha dos meus segredos

Deixaste-me esta saudade  

Que está agarrada aos meus medos

 

Tantos planos por cumprir

E sonhos por realizar

Coisas boas p'ra sorrir

E tristes, p'ra partilhar

 

Muito se perdeu no caminho

Salvaram-se alguns afectos

A amizade,  e o carinho

O amor p'los filhos e netos

 

Mas faltas tu, meu ombro amigo

Com quem repartia o fardo

Agora, só divido comigo

Magoas dum fardo pesado.

 

Eu

Sou a papoila do amor

Nascida entre os trigais

Que aos poucos mudou de cor

De tantos sorrisos e ais

 

Tanto que eu queria dizer

Coisas minhas para contar

Poesia não sei fazer

Em verso? não sei rimar

 

Veio-me então à ideia

Duma amiga camponesa

Que jorra poesia p'la veia

Que me ia ajudar concerteza

 

Afinal não me enganei

E resolvi esta questão

Pouca coisa lhe contei

Só as magoas do coração.

 

A poetisa

 

Vou já parar por aqui

Porque a veia não tem fim

No que toca ao coração

A poesia é mesmo assim

Quer a gente queira ou não

 

Como um destino marcado

Cada qual vive o seu fado

Seja de dor ou magia

Mas nestes versos da alegria

E em plena sintonia

Quer seja falado ou cantado

Só o Poeta! Quem diria!

Enleia a poesia no fado

 

 

Aqui vai o meu abraço

Atado com nó e laço

E p'ra não desatar no caminho

Vai selado com um beijinho.

                                                 

Da amiga certa          

                                                            Guerreiro Dias       

                   Poetisa dum Campo que é sem duvida o Maior. 

                   24-11-2008

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publicado às 15:48


4 comentários

De zezinha a 22.11.2008 às 19:34

querida amiga agradeço do fundo do coração
um beijinho zezinha

De PreDatado a 23.11.2008 às 22:26

Acho os seus trabalhos muito interessantes e cheios de criatividade, tanto faz que seja o slide-show como as poesias. E fico parado de auscultadores a ouvir a musica que acompanha as fotos.
Boa semana.

De joaquim avo a 25.11.2008 às 22:02

Não vejo comentários à este belo trabalho por parte das pessoas visadas, no entanto quero em nome delas agradecer-lhe estas pequenas histórias desenhadas em verso pelas hábeis mãos duma poetisa e camponesa alentejana.
Abraços da Naazaré e domQuim

De zezinha a 16.12.2008 às 20:58

só hoje tive a oportunidade de ler e o resto das poesias li e reli ,juntamente com os meus filhos netos e noras o Pedro teve que ir buscar um guardanapo para limpar as lágrimas todos te agradecemos do fundo do coração, são lindos querida amiga
um bem haja

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