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UMA NOITE EM CAMPO MAIOR

por Rosa Guerreiro Dias, em 30.03.08

                                            

 

 

Noite  no

 Alentejo

 

 

Ao Bingo foi um grupinho, só para tentar a sorte

Foi pobre, veio pobrezinho, quase que a perder o norte.

Levaram moedas trocadas, p’rás primeiras impressões

Nem uma alínea coitadas

Quanto mais Bingo ou milhões.

 

Da Espanha sopravam ventos

 Sacudindo as portuguesas

Que resmungando em lamentos

 Vinham murchas, quase tesas

 

Disse um rei em dado momento

Que da Espanha jamais se viu

 Bom vento ou bom casamento

E hoje

 Palavra de rei se cumpriu.

 

Prova dos nove fizemos

 Neste Março marçagão

  Um frio de rachar trouxemos

 P’ra dar razão à razão

 

      O amigo Avó recebeu, apesar de “poucachinho”

      Dobrou aquele que deu, teve sorte o Avozinho.

 

      E depois da fraca jogada, nessa Badajoz de alegrias

     Termina a grande noitada, na casa da Rosa Dias

Zézinha

    Chamou - me casa cheia, de alegria e de presença

   Tudo por causa da veia, que trago desde criança

Não fora o frio que fazia, maior seria o serão

   Ainda assim houve alegria, com amigos do coração.

   Casal Avó foi presente

         Luísa, Zézinha, pois então

     A Rosa estava contente

    O Dias e a Conceição.

 

                                                  J. Rosa Guerreiro Dias

                                                               23-3-2008

 

 

           

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publicado às 22:27


DEZ MULHERES

por Rosa Guerreiro Dias, em 30.03.08

     

 

  

 

 

Dez mulheres 

 

Dez filhas, nem todas mães, avós, talvez como eu sou

Dez mulheres, que são reféns, do mundo que as rejeitou

 

Dez mulheres que foram gente, dez vivências de canseira

Dez amores possivelmente, sentados numa cadeira

 

Dez sorrisos envergonhados, rios de beijos p/ra dar

Aos filhos e netos amados, que vão tardando em chegar

 

Dez sentidos vagueando, e tantas vidas por contar

Dez abraços estão guardando, p/ra quem as queira abraçar

 

A dobrar são os olhares, brilho de estrelas sumindo

Em dez vidas de mulheres, da vida se despedindo

 

Dez colos estão esperando, filho que tarda em chegar

Mas vão baixinho rezando, na esperança dele voltar

 

Dez mulheres, dez cadeiras, uma outra está vazia

Que vai esperando sem canseiras, a nossa chegada um dia

 

Meu futuro, vida triste, “Lar da terceira idade”

O número, ainda resiste, lá na rua da saudade

 

É uma versão verdadeira, que a poetisa nos fez

Sem ter esquecido a cadeira, que aguarda p’la nossa vez

 

É duro, mas é verdadeiro, só não vê quem for vaidoso

Com amor peço ao mundo inteiro, vamos olhar p’lo idoso.

 

                                                                Rosa Guerreiro Dias

                                                                            

                                                                                      10-3-2008

 

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publicado às 14:58


MÉRTOLA

por Rosa Guerreiro Dias, em 29.03.08

    

 

Mirtilis

 

Mértola

 

Caminhos desertos, aves madrugando

Saudosos afectos, p'ra quem vai olhando

O vento sacudindo as árvores em pé

A perdiz passando, vai testando a fé

O grito calado escondido entre serras

Já bastou de brado nas lutas e guerras

Agora descansas nos braços do rio

Vives de lembranças entre o casario

Há povos chegando, de onde virão?

Nasce o sol vão orando, mostrando quem são!

 

Panagens coloridas, cobrindo as ruelas

De calçadas esquecidas, velhas sentinelas

Gentes com sotaque, trajando de novo

Trazendo outra arte, cativando o povo

A cor vem dar brilho, à doce alentejana

Que segue em seu trilho, na calçada romana

Há homens letrados, em artes eu vi

Que escrevem tracejados os nomes daqui

Sorrisos esquivos de homens tementes

Do saber são arquivos, da arte sementes

As jovens passando, de cabeça coberta

Os corações vão pulando, é paixão na certa

De braços abertos Mértola contente

Tantos dialectos entre a sua gente

A ponte romana persiste em ficar

Porque ao rio Guadiana, prendeu seu olhar

Relíquias do tempo, segredos de amores

Sovada pelo vento, canteiro de flores

 

Lá do "Beira Rio" serrenha paizagem

Madruguei sem frio, sem medo à aragem

Esta camponesa que por ti passou

Rendeu-se à beleza

Que viu e deixou.

 

Rosa Guerreiro Dias

20-5-2007

                                                   

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publicado às 21:44


Quando o amor fala mais alto

por Rosa Guerreiro Dias, em 27.03.08

                           

Beatriz Irmã Amada

Tu és mulher perfumada

De alecrim, Hortelã e poejo

Sementinha plantada

Em terra fértil de brejo

P'las mãos de Deus abençoada

Nesse bendito Alentejo

 

Caminhaste sempre em frente

Menina de alma sofrida

Mas com a força que um herói sente

Sacudiste o mal da vida

Tua luta foi renhida

Minha corajosa semente

 

Hoje és Mulher, Mãe de amor

Irmã querida abençoada

Tens ainda a força e a cor

Daquela terra lavrada

Onde a luz da alvorada

Deposita o seu calor

És mulher abençoada

Louvado seja o "Senhor" .

 

 

             Da mana que muito te ama aí vão as palavras

             que há muito te queria dizer, irmã amiga.

                                                                  

 Rosa Dias

 

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publicado às 08:53


Que saudades de minha mãe

por Rosa Guerreiro Dias, em 26.03.08

 

 

 

                                                                

 

                                                                             

            Precisando de colo

 

 

Queria ser mãe de mim agora

Deitar-me no meu regaço

Sentir o beijo que demora

No conchego de um abraço

 

Assim mataria o desejo

Da mãe que há muito partiu

E daquele saudoso beijo

Num sorriso que sumiu

 

Estou-me esforçando, mas não sei

Vamos lá ver se eu consigo

Repartir meu colo de mãe

Com os outros e comigo

 

Só assim esta saudade

Deixaria de ser constante

E minha mãe na verdade

Estaria sempre presente.

 

 

 

Rosa Guerreiro Dias

                      2-8-2007

                            

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publicado às 22:01


As ruas estão de pousio

por Rosa Guerreiro Dias, em 26.03.08

   Festasdo Povo

de Campo Maior.

As ruas estão de pousio.

Minha Vila está de pousio

Mas p/ró ano renascerá

E meu povo cheio de brio

Sementes de arte espalhará

A festa, é trabalhosa

Diz bem, a voz da razão

Tanta flor, tanta rosa

Tanto craveiro em botão

Tudo é feito com amor

E com arte genuína

Um Campo Maior em flor

Onde a erva não germina

Ouvem-se vozes dizer

Esta festa é um esplendor

Deus não vai deixar morrer

Festas dum Campo Maior

 Em dois mil e nove talvez

 Volte a festa p/ra dar brado

E este povo camponês

 Será de novo abençoado

Já repousa a pandeireta

Castanholas vão dormir

   Mas meu povo fica alerta

   P/rás festas que hão-de vir

                                    Rosa Dias

                                    26-3-2008

O povo cantando as saias

     

Repouso da pandeireta

 

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publicado às 20:17


OS MEUS NETOS

por Rosa Guerreiro Dias, em 26.03.08

Um de entre tantos momentos dos mais lindos da minha vida.

 

Duas gerações, avó e netos momentos a recordar. 

 

Um dia em férias da Páscoa

Começamos o dia no maravilhoso Castelo de S. Jorge na bela cidade de Lisboa e viemos terminar o dia com o lanche na  conhecida Pastelaria Nacional, e não fora as pingas de chuvinha que caiam teria sido maior o dia, Rosa, Mariana e Diogo, felizes calcorreando as velhas calçadas da cidade.

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publicado às 17:34


Eu, a Azevia e o Gato Preto

por Rosa Guerreiro Dias, em 25.03.08

 

" CONTO DE NATAL"
1º PRÉMIO DE 2009 Nuns Jogos Florais da margem Sul"" 

HISTÓRIA VERÍDICA CONTADA POR UM DOS PERSONAGENS"" 

Eu, a Azevia 
E o Gato Preto…

Estava terminando o ano de 2007.
Era noite de Natal!...
Já fazia uns bons anos que essa noite era passada em casa de minha filha Mena onde se reunia a pequena família.
Meu marido já tinha ido para lá, com nosso netinho Diogo, e eu ficara a fazer as azevias na minha casa, ficando só, me despacharia mas rápido, para depois me juntar a eles que já ansiavam minha chegada, e muito em especial as belíssimas azevias da avó Rosa.
A casa da minha filha ficava perto da minha, como tal o caminho fazia-se bem a pé.
Depois de terminar este labor que bem me custara, pois minha coluna estava muito doente, e certos trabalhos como este de amassar e estender a massa, era tarefa que nem devia pensar, quanto mais fazer!
Mas como sempre lá ia para diante, pondo como de costume em primeiro lugar, a satisfação de ajudar e fazer os outros felizes, e neste caso era um caso especial pois todos adoravam as minhas azevias, e além do mais era noite de Natal.
Nessa noite não fiz muitas, como era meu hábito fazer, estendi apenas meio quilo de farinha, que deu para encher um prato e parei por aí. 
Logo que acabei ajeitei as coisas, coloquei o prato das azevias num saco com todo o cuidado, coloquei aos ombros minha capa de malha preta que por sinal era bem quentinha, e saí de casa com rumo a casa de minha filha.
A noite estava em silêncio, ninguém pelas ruas, apenas o Céu, a Terra, as estrelas e as luzinhas piscando aqui e ali nas janelas das casas!
As árvores despiam-se, deitando ao chão suas folhas amarelecidas, que formavam um tapete por onde eu passava, como se de propósito, ali fosse colocado.
Eu caminhava envolta em meus pensamentos, ia calma, serena, estava passando à escola onde meus filhos e netinha tinham andado, quando por entre os caixotes do lixo surgiu um gato preto de olhos verdes reluzentes tanto ou mais brilhantes que aquelas luzinhas que piscavam das janelas e que faziam a delicia dos mais pequeninos em noite de Natal.
O gatinho miava, miava em direcção a mim, parei e falei-lhe com voz suave, meu pequenino, em noite de Natal e tu tão sozinho!
Cheguei mais perto dele, agachei-me no intuito de lhe fazer uma festinha, ao que ele não quis, talvez por receio que lhe fizesse mal, continuei dizendo anda cá pequenino, não te faço mal, parou, e eu tirei do saco uma azevia, coloquei-a em cima de uma folha que acabara de cair ao chão, ele aproximou-se cheirou, tornou a cheirar, e começou a lamber a azevia, dando uma dentada, logo outra, sempre olhando para mim, enquanto eu de cócoras a uma distância relativa presenciava a cena dizendo ele é pequenino bichaninha, bichaninha. 
Nos meus olhos aflorou uma lágrima, estava sentindo uma felicidade tão grande, por estar proporcionando a um gatinho maltês um verdadeiro banquete, numa noite de Natal. 
A azevia foi toda.
O gatinho lambendo e relambendo olhava para mim como querendo dizer obrigada amiga por esta doce consoada.
Peguei no saco, e no silêncio dessa noite já bem escura, retomei o caminho da casa da minha filha, sempre olhando para trás até o gatinho desaparecer por entre os caixotes do lixo.
Eu caminhava, mas agora com uma alegria interior, que me provocava um sorriso nos lábios apenas presenciado pela terra, o Céu e as estrelas, dirigia-me para a porta da casa da minha filha e só o estalar do trinco abrindo a porta me despertou deste momento mágico que acabava de viver.
Gravei este momento no meu coração, e por mais que viva não irei esquecer esta noite de Natal!
Em que partilhei as deliciosas azevias da avó Rosa!
Com um gatinho maltês!
De cor preto!
De olhos verdes e reluzentes!
E de olhar meigo e enternecedor!...

Rosa Guerreiro Dias
26-12-2007

 

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publicado às 19:47


OS POETAS NÃO MORREM

por Rosa Guerreiro Dias, em 24.03.08

 

Não chores meu amigo

Não vês que é mentira

Não vou eu já disse

Eu fico contigo

Que trapaça

A morte não pode ,não pode levar

Quem espalhou na terra tamanha alegria

Quem chorou

Quem riu dizendo poesia

Por isto e por tudo

Os poetas não morrem

Terão que ficar.

 

Que graça

Que graça eu acho da grande trapaça

Diz o poeta ao mundo, gozando em chalaça

A morte lhe diz,  vem; chegou tua hora

O poeta

O poeta ri, gargalha, e troça dizendo

Diz lá outra vez, não estou entendendo

E empurra a negra morte da porta p'ra fora.

 

Ela sai

Sai à força 

Mas leva-lhe a vida.

E p'ra mostrar seu poder

Apenas lhe deixa a carcaça estendida

 

O poeta se ergue, e enfrentando a morte

Grita glorioso

 

Ficaste-me o osso, que em pó se desfaz

Apesar disso não me dou por vencido

Ainda que eu vá p'ró além perdido

          A obra que deixo, jamais matarás.

 

                         

 

                       Homenagem a Mário Viegas   

                                             De  --  1-4-1996

                              Rosa Guerreiro Dias 

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publicado às 18:09


A minha amiga

por Rosa Guerreiro Dias, em 20.03.08

               

                        Seu nome não sei dizer, mas seu coração conheci

       atrás daquela janela

       sempre esperava por mim

                    espreitava com ansiedade, até a criança aparecer!

                          P'ra lhe dar o dinheiro p'ró petrólio, p'ró candeeiro acender.

                 Já tinha nas suas mãos dezoito tostões apertados

Com receio que fossem vistos, por alguns dos seus criados.

               Muitas vezes um pastel do seu almoço tirava

              P'ra dar aquela criança, que todas as noites esperava.

           Com as mãozinhas tremendo, da velhice, da doença.

           Dava o dinheiro para o petrólio, aquela pobre criança.

Logo à entrada da rua a criança em correira, até chegar à janela

       p'ra olhar quem lhe sorria.

Mesmo a janela fechada, era olhada com carinho, por essa pobre criança

      regressada tarde ao ninho.

   Esta bondade encoberta

Pouca gente a conhecia

Mas a Deus e à criança dava uma grande alegria.

Tantos dezoito tostõezinhos, essa amiguinha me deu.

E a criança hoje adulta

Passa à rua,

Pensa nela

Olha a porta 

Olha a janela

e essa amiga não esqueceu.

                                       

                                                             J. Rosa Guerreiro   1983

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publicado às 10:33

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