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Serões no meu Alentejo

por Rosa Guerreiro Dias, em 10.04.08

Cidade de Elvas

Elvas Forte

Arcos das amoreiras

 

 

olaias esperando a Primavera

 

Olaias em flor

 

Elvas sorri perante a beleza

 

*****

Á MINHA CIDADE

 

**

 

Elvas

Cidade velhinha

És cidade minha

Pois quando outrora

Um dia eu nasci

Aí estavas tu

De braços estendidos

Esperando por mim

*

E foram os teus braços

O meu primeiro berço

Por isso cidade

De ti não me esqueço

Pois logo ao nascer

Minha alma chorava

Sorria, gritava

P'ra te agradecer

E quando mais tarde

Minha mãe me levava

Ouviu-se um soluço

De alguém que chorava

Eras tu Cidade

Cidade saudosa

Pois mais uma vez

Roubavam de ti

Um botão de rosa

 

Mas tu, para que a Rosa

Nunca te esquecesse

Pedias a Deus que algo de bom

Na vida lhe desse

E assim Deus decretou

Que esta Rosa teria

Um coração cheio

De amor e poesia.

 

             Dias

                           1986

 

 

**

Muralhas da cidade

 

*****

Simplesmente maravilhoso

 

Um dia por lá

Troxemos saudade

 

Nos Serões

                                Do

                                                                                                                                              Alentejo

                           

              Até a lua sorri 

 

 

Fim, de semana pensado

Onde a poesia e o fado

Marcaram sua presença

Em Elvas nobre cidade

Num teatro sem idade

Que me avivou a lembrança

 

A cidade estava linda

De luzes iluminada

Que encantou o nosso olhar

A noite assim começava

Outra luz nos esperava

Que nos iria marcar

 

Por entre ruas estreitinhas

De calçadas bem velhinhas

Devagar admirando

Janelas e varandins

Portadas e seus lambris

Sua história nos contando

 

Na entrada teatral

Surgiu uma figura tal

Que arrebatou nosso olhar

Fadista Rosamaria

Esplendorosa simpatia

Deixou-nos a meditar

 

Lá no palco qual taberna

Á luz de velha lanterna

A noite já prometia

De boné e olhar matreiro

O típico taberneiro

A sangria nos servia

 

Deu-se a cena do costume

Onde entra o negro ciúme

Da mulher que foi trocada

Amo, as duas, fez-se ouvir

Com um cínico sorrir

Dum filho da madrugada

 

Uma á outra, se agarraram

E com ganas disputaram

Esse homem com ares de artista

Que gingando aperaltado

Dizia, isto é que é fado

Assim é que é ser fadista

 

Sai de cena aquela fita

O povo aplaude e se agita

Com entusiasmado fervor

O fado então recomeça

Com destacada presença

De quem tem paixão e dor

 

Com musica de Rosa enjeitada

Com outra letra cantada

Na voz de Rosamaria

A poetisa apareceu

E a poesia aconteceu

Emocionando quem ouvia

 

Acaba então o serão

Com deliciosa paixão

Entre seres que o fado uniu

A sacristia nos esperava

A açorda já fumegava

Lá fora fazia frio

 

E neste convívio são

Conhecemos o Capelão

De olhar doce e voz serena

A todos nós cativou

E nosso amigo ficou

E na certa valeu a pena

 

Para terminar este dia

Houve anedotas e poesia

Na boa disposição

Fizemos as despedidas

Com palavras bem sentidas

Bendizendo este Serão.

                                               

    

Serões da minha paixão

 

 

Estão presos no meu olhar 

E gravados no coração

                                                    

                                Rosa Guerreiro Dias    10-12-2005

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publicado às 11:09



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